Denominada Plataforma Socioambiental, a iniciativa tem como objetivo facilitar a rastreabilidade das cadeias de commodities, especialmente em sintonia com o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). Este novo regulamento, que proíbe a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas para o bloco europeu, promete ter um impacto crescente nos próximos anos, especialmente com a iminente aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
Entre os produtos monitorados pela plataforma estão soja, café, cacau, palma, borracha e carnes de origem bovina. A expectativa do ISPN é que essa ferramenta se torne um recurso valioso para empresas voltadas ao consumo consciente, onde consumidores buscam produtos que não comprometam comunidades locais ou o meio ambiente.
Dessa forma, a plataforma se torna um instrumento essencial não apenas para empresas e consumidores, mas também para governos locais e instituições públicas. O uso dessa ferramenta pode contribuir significativamente para aumentar a transparência no setor e estimular práticas de consumo responsável, além de auxiliar na formulação de políticas públicas mais eficazes e responsáveis.
As informações disponíveis abrangem dados de 15 entidades nacionais e internacionais dos âmbitos de direitos humanos, meio ambiente e sociedade civil, cobrindo um período que vai de 2002 até os dias atuais, com a promessa de atualizações anuais e a inclusão de novos bancos de dados ao longo do tempo.
Os cruzamentos de dados proporcionados pela plataforma permitem análises detalhadas sobre disputas envolvendo água e terra, além de investigar questões como trabalho escravo, violência, e contaminação ambiental. Análises iniciais indicam que a maioria dos municípios brasileiros enfrenta conflitos sociais, e que as violações dos direitos humanos são amplamente disseminadas pelo território nacional. A inter-relação entre desmatamento e produção de commodities é um dado alarmante, frequentemente associada a conflitos por terra e recursos hídricos, especialmente em áreas de mineração.
A nova ferramenta será apresentada no próximo dia 28 de abril a representantes das embaixadas da França, Alemanha, Holanda, Bélgica e Dinamarca, em um encontro que promete reunir interesse internacional na problemática socioambiental brasileira.
