Tiago Santovito, diretor-executivo da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), expressou otimismo em relação a essa nova meta. Segundo ele, a previsão é de que os volumes de biometano já vendidos e os que estão por vir se alinhem tranquilamente com essa meta de 0,5%. A confiança, credibilidade e transparência do setor produtivo são fundamentais para garantir que os compromissos sejam atendidos.
Inicialmente, o governo avaliava uma meta mais ambiciosa, de 0,25%, mas, após uma análise mais detalhada das condições do mercado e das capacidades das empresas, foi decidido que 0,5% seria mais viável. André Galvão, superintendente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), destacou que a revisão de parâmetros possibilitou esse ajuste. Ele afirmou que, com dados reais e circunstâncias mais tangíveis, ficou claro que a nova meta era a mais apropriada.
Além disso, o CNPE estabeleceu a criação de uma Mesa de Monitoramento do Mercado de Biometano, coordenada pelo Ministério de Minas e Energia, com a intenção de elevar futuramente a meta para 1%. Essa medida integra o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, que sustenta compromissos internacionais, como os estabelecidos no Acordo de Paris.
Essa estratégia é fundamental para o Brasil, que apresentou suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) durante a 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), com metas ambiciosas de redução de emissões de gases do efeito estufa. Para o país, está previsto uma redução entre 59% e 67% até 2035, além da busca pela neutralidade das emissões até 2050.
Galvão também enfatizou o potencial de crescimento do setor de biometano proveniente do aproveitamento de resíduos sólidos, prevendo uma oportunidade de revisão das metas nos próximos anos. De acordo com as informações disponíveis, 50 novas plantas de biogás devem começar a operar até 2027, e os estudos indicam mais 127 projetos até 2030. Esse crescimento sustentado pode resultar em aumentos significativos nas metas futuras, vislumbrando uma trajetória que levaria a um percentual de 5% até 2030. Essa iniciativa, portanto, reflete um passo estratégico, visando uma transição energética mais sustentável e um impacto positivo na luta contra as mudanças climáticas.





