O estudo faz parte do módulo Teletrabalho e Trabalho por Meio de Plataformas Digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e é a primeira vez que esse tema é abordado pela pesquisa. De acordo com Gustavo Geaquinto, analista do IBGE, o objetivo do estudo é entender melhor o fenômeno da plataforma de trabalho no país.
O setor de transporte, armazenagem e correio foi o que reuniu o maior número de trabalhadores (67,3%), seguido pelo setor de alojamento e alimentação (16,7%). Quanto ao tipo de emprego, a maioria dos trabalhadores era autônoma (77,1%), enquanto os trabalhadores com carteira assinada representavam apenas 5,9% dos plataformizados.
Em relação aos aplicativos utilizados, o de transporte particular de passageiros foi o mais utilizado (47,2%), seguido pelo serviço de entrega de comida e produtos (39,5%). O Sudeste foi a região com a maior proporção de trabalhadores do setor, com 2,2% do total.
Em termos de características demográficas, os homens eram a maioria dos trabalhadores plataformizados (81,3%), enquanto as mulheres representavam 18,7% do total. Quanto à faixa etária, a maioria dos trabalhadores estava na faixa dos 25 a 39 anos (48,4%).
Em relação à escolaridade, a maioria tinha níveis intermediários de instrução, com o ensino médio completo ou superior incompleto sendo o mais comum (61,3%). Já em termos de rendimentos, os trabalhadores plataformizados tinham um rendimento médio superior ao dos ocupados em geral, além de trabalharem mais horas por semana.
O estudo também revelou que a maioria dos trabalhadores plataformizados não contribuía para a previdência (35,7%) e estava na informalidade (70,1%).
Para Rodrigo Carelli, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os dados do IBGE são importantes para compreender o mercado de trabalho e revelam a diferença de remuneração entre os trabalhadores das plataformas e os do mercado tradicional. Ele ressalta a importância de comparar trabalhadores na mesma função dentro e fora das plataformas para avaliar o rendimento de cada um.
Em resumo, o estudo do IBGE mostra que o trabalho por meio de plataformas digitais está cada vez mais presente no Brasil, com impactos no mercado de trabalho, nos negócios e nos preços de setores tradicionais da economia. Há diferenças significativas de remuneração e condições de trabalho entre os plataformizados e os trabalhadores do mercado tradicional. Além disso, a maioria dos trabalhadores plataformizados está na informalidade e não contribui para a previdência. Esses dados são de extrema importância para entender e debater as transformações no mundo do trabalho causadas pelas plataformas digitais.





