ECONOMIA – Mercado de trabalho digital no Brasil: 2,1 milhões de pessoas realizam trabalhos por meio de plataformas, aponta IBGE.

Apopulação ocupada no setor privado no quarto trimestre de 2022 foi estimada em 87,2 milhões de pessoas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses trabalhadores, 2,1 milhões atuavam por meio de plataformas digitais, como aplicativos de serviços e comércio eletrônico.

O estudo faz parte do módulo Teletrabalho e Trabalho por Meio de Plataformas Digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e é a primeira vez que esse tema é abordado pela pesquisa. De acordo com Gustavo Geaquinto, analista do IBGE, o objetivo do estudo é entender melhor o fenômeno da plataforma de trabalho no país.

O setor de transporte, armazenagem e correio foi o que reuniu o maior número de trabalhadores (67,3%), seguido pelo setor de alojamento e alimentação (16,7%). Quanto ao tipo de emprego, a maioria dos trabalhadores era autônoma (77,1%), enquanto os trabalhadores com carteira assinada representavam apenas 5,9% dos plataformizados.

Em relação aos aplicativos utilizados, o de transporte particular de passageiros foi o mais utilizado (47,2%), seguido pelo serviço de entrega de comida e produtos (39,5%). O Sudeste foi a região com a maior proporção de trabalhadores do setor, com 2,2% do total.

Em termos de características demográficas, os homens eram a maioria dos trabalhadores plataformizados (81,3%), enquanto as mulheres representavam 18,7% do total. Quanto à faixa etária, a maioria dos trabalhadores estava na faixa dos 25 a 39 anos (48,4%).

Em relação à escolaridade, a maioria tinha níveis intermediários de instrução, com o ensino médio completo ou superior incompleto sendo o mais comum (61,3%). Já em termos de rendimentos, os trabalhadores plataformizados tinham um rendimento médio superior ao dos ocupados em geral, além de trabalharem mais horas por semana.

O estudo também revelou que a maioria dos trabalhadores plataformizados não contribuía para a previdência (35,7%) e estava na informalidade (70,1%).

Para Rodrigo Carelli, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os dados do IBGE são importantes para compreender o mercado de trabalho e revelam a diferença de remuneração entre os trabalhadores das plataformas e os do mercado tradicional. Ele ressalta a importância de comparar trabalhadores na mesma função dentro e fora das plataformas para avaliar o rendimento de cada um.

Em resumo, o estudo do IBGE mostra que o trabalho por meio de plataformas digitais está cada vez mais presente no Brasil, com impactos no mercado de trabalho, nos negócios e nos preços de setores tradicionais da economia. Há diferenças significativas de remuneração e condições de trabalho entre os plataformizados e os trabalhadores do mercado tradicional. Além disso, a maioria dos trabalhadores plataformizados está na informalidade e não contribui para a previdência. Esses dados são de extrema importância para entender e debater as transformações no mundo do trabalho causadas pelas plataformas digitais.

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