ECONOMIA – Lula retoma construção de unidade de fertilizantes em Três Lagoas, destacando investimento de R$ 5 bilhões e meta de 35% de produção nacional até 2029.

Na última quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a assinatura dos contratos que visam à conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, localizada em Três Lagoas, no estado de Mato Grosso do Sul. Este projeto, parte integrante do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), está previsto para receber um investimento superior a R$ 5 bilhões.

A planta, que estava paralisada desde 2015, teve sua retomada confirmada pela Petrobras após uma reavaliação técnica e econômica que atestou a viabilidade do projeto. Durante a cerimônia de assinatura, Lula expressou otimismo, afirmando que a construção deveria ter começado muito antes. O presidente enfatizou a importância do projeto para a soberania do Brasil, almejando reduzir a dependência do país em relação às importações de fertilizantes.

Em uma declaração contundente, afirmou: “Podem ficar certos, esse país vai construir sua soberania, sendo independente de importação de fertilizantes dos outros países”. Esse compromisso em fortalecer a produção interna de insumos agrícolas é uma das grandes bandeiras do governo atual.

A unidade, ao entrar em operação comercial prevista para 2029, terá uma significativa capacidade de produção: 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia, o que somará aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano. Esse volume é equivalente a cerca de 16% da demanda nacional pelo insumo, segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto.

A localização da unidade em Três Lagoas foi considerada estratégica, uma vez que a região Centro-Oeste responde por aproximadamente 40% da demanda brasileira de ureia, impulsionada por culturas essenciais como milho, cana-de-açúcar, algodão e pastagens. A proximidade da fábrica com esses polos agrícolas promete aumentar a confiabilidade no abastecimento e reduzir os custos logísticos, beneficiando diretamente os agricultores, especialmente nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.

Atualmente, a Petrobras desenvolve sua carteira de fertilizantes dentro do Novo PAC, que inclui outras quatro unidades: Fafen-BA, Fafen-SE, ANSA e UFN-III. Com a operação dessas plantas, a estatal estima que poderá atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029, uma mudança significativa diante da realidade anterior, onde 100% da ureia consumida no país era importada. Essa iniciativa não só promete impulsionar a autossuficiência brasileira, mas também fortificar a segurança alimentar em um cenário de crescente demanda por fertilizantes.

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