São Paulo, que detém uma condição de liderança econômica no Brasil, é particularmente vulnerável, com aproximadamente 41,6% do total das exportações atingidas, representando 20% dos envios paulistas para os EUA. Santa Catarina, por outro lado, enfrenta um cenário ainda mais severo, onde impressionantes 68% de suas exportações para o mercado americano serão impactadas pelas novas tarifas.
A Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, conhecida como ApexBrasil, anunciou um plano de R$ 130 milhões destinado a ajudar as empresas afetadas a diversificar seus mercados e amenizar os danos provocados por esse aumento nas tarifas. Apesar da iniciativa, a situação se mostra alarmante para vários setores, especialmente o madeireiro do Paraná. Esse estado é responsável por uma parte significativa das importações de madeira dos EUA, com 30% do total importado vindo do Brasil, sendo 66,7% dessa quantidade originária do Paraná.
A repercussão dessa medida não se limita às empresas brasileiras; o próprio mercado americano deverá sentir os efeitos negativos. O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que essa situação não é benéfica para as empresas do Paraná, tampouco para quem importa madeira nos Estados Unidos, o que culmina em um impacto na construção civil e, por conseguinte, na inflação americana.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA confirmou a aplicação dessas tarifas, justificando-se com alegações de práticas comerciais “desleais”. O governo brasileiro, por sua vez, rejeita essas justificativas e considera as tarifas uma medida inadequada. As novas tarifas entrarão em vigor a partir do dia 22 de julho, afetando 19,2% do total de exportações brasileiras para os EUA.
Além da madeira, outro produto brasileiro que sofrerá igualmente com esse tarifário é o granito, essencial para a construção civil. A dependência dos EUA em relação ao Brasil é notável, já que 36% do granito importado pelos Estados Unidos provém do Brasil. Müller ressaltou que essa dependência torna difícil para o mercado americano encontrar alternativas viáveis a curto prazo, considerando o volume que importa do Brasil. Assim, o impacto econômico deste tarifaço é multidimensional, afetando tanto o lado brasileiro quanto o americano desta complexa relação comercial.
