ECONOMIA – Festival Pacto das Pretas reúne 1,5 mil líderes para debater equidade racial e empoderamento de mulheres negras no Brasil, promovendo oportunidades no mercado corporativo.

Na última segunda-feira, 21 de outubro, o Museu de Arte do Rio (MAR) foi palco do segundo dia do Festival Pacto das Pretas, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER). Este evento, que nessa edição celebra sua quinta realização ao longo de 2026, começou na última sexta-feira em Salvador e se encerrará na próxima sexta-feira, 24, em São Paulo. O festival reúne aproximadamente 1,5 mil líderes que, durante três dias, debaterão questões cruciais relacionadas à governança corporativa e diversidade, sob a temática “Movimento: Mulheres Negras Criando”.

O Pacto de Promoção da Equidade Racial é uma plataforma de impacto socioeconômico que busca promover um ambiente inclusivo. Com o apoio de empresas de destaque como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc. e Natura, o pacto apresenta um Protocolo ESG Racial para o Brasil, contando atualmente com 85 signatárias.

A presidente do Conselho Deliberativo do Pacto, a historiadora Wânia Sant’Anna, enfatiza a necessidade de fortalecer a participação de mulheres negras em cargos de decisão. “O festival tem o objetivo de dar espaço à visão e à experiência de mulheres negras que atuam no mercado de trabalho. Não estamos aqui para discutir saúde ou educação, mas para abordar empregabilidade, empreendedorismo e empoderamento econômico”, afirmou.

A escritora e comunicadora Luna Vitrolira, presente no encontro, complementou essa ideia, destacando que a liderança feminina negra não ocorre de forma isolada. “Quando uma mulher negra assume um papel de liderança, ela não apenas cresce, mas também abre caminhos para outras”, disse. Essa visão de coletividade é considerada fundamental para um futuro mais justo e representativo.

Entre as inovações desta edição está a Plataforma Black Hub, uma iniciativa lançada em junho, que visa criar um ecossistema digital dedicado à educação antirracista e à aceleração profissional. O projeto, que recebeu suporte da Lei Rouanet, inclui recursos como a Cartilha ESG Racial, que oferece diretrizes práticas para incorporar a pauta antirracista nos negócios.

Além disso, a Cartilha de Enfrentamento à Violência, coordenada por Wânia Sant’Anna, fornece recomendações e orientações para ajudar empresas a construir uma cultura corporativa de proteção às mulheres. O festival também lançou o livro “Vozes que Ocupam”, que reúne crônicas de importantes lideranças negras da cultura e educação.

Com o festival coincidindo com o mês do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, Sant’Anna ressaltou a relevância dessa confluência. Luna Vitrolira lembrou, por sua vez, que transformações significativas requerem um esforço coletivo, reforçando o poder que a palavra tem no encontro e na mobilização social.

Por fim, o evento se propõe a ser um polo de atração de talentos, promovendo o Programa Pacto Transforma, que visa preparar executivas para posições de alta governança e liderança. A presença de 30 profissionais selecionadas evidencia a importância da diversidade nas esferas de decisão, conectando-as diretamente aos diretores e CEOs das empresas parceiras.

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