Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, destacou que, apesar da retração, ainda não há evidências suficientes para afirmar que isso indique uma mudança estrutural nas relações comerciais entre os dois países. Brandão enfatizou a necessidade de cautela ao interpretar os dados. Ele observou que fluxos de comércio exterior costumam levar tempo para se adaptar, dependem da composição das exportações e podem variar conforme o tipo de produto.
Os números indicam que, ao longo dos meses, a intensidade da queda nas exportações para os EUA tem diminuído. Em outubro do ano passado, a redução chegou a 35%, mas a situação melhorou, com uma diminuição de 14% em maio. De acordo com os dados mais recentes, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 3,09 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 3,21 bilhões, resultando em um déficit comercial de US$ 121 milhões para o mês.
No acumulado do ano, de janeiro a maio, o Brasil exportou um total de US$ 14,01 bilhões, representando uma queda de 16%. As importações nesse mesmo período somaram US$ 15,48 bilhões, uma redução de 12,6%. O déficit comercial acumulado nos primeiros cinco meses do ano alcançou US$ 1,47 bilhão, e a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu de 12% em maio de 2025 para 9,7% em maio deste ano.
Em contrapartida, a China consolidou sua posição como o principal parceiro comercial do Brasil, com um aumento de 9,5% nas exportações para o país asiático, totalizando US$ 10,5 bilhões em maio. As importações da China também cresceram, abrindo um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no mês. Nos primeiros cinco meses de 2026, as exportações para a China atingiram US$ 43,26 bilhões, representando um aumento de 21,8%.
Por fim, Brandão também fez referência à guerra no Oriente Médio como um fator que influenciou o crescimento das exportações de combustíveis derivados de petróleo, devido à alta nos preços internacionais. Em contrapartida, embora as exportações de petróleo bruto tenham mostrado uma queda significativa, Brandão ressaltou que esse movimento é temporário e não será afetado por novas taxas de exportação, com as empresas mantendo sua competitividade no mercado internacional.
