ECONOMIA – Estudo do Ipea revela que aplicativos de transporte aumentam acesso ao trabalho, mas mostram desigualdade econômica entre classes sociais.


O uso de aplicativos de transporte como Uber e similares tem se tornado cada vez mais comum nas grandes cidades. Além de proporcionar comodidade aos usuários, esse tipo de serviço também tem impactos significativos na mobilidade urbana e no acesso a oportunidades de trabalho e serviços públicos.

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que os aplicativos de transporte têm um grande potencial para aumentar o acesso da população ao emprego e outros tipos de atividades econômicas e serviços públicos. Para chegar a essa conclusão, foram analisados dados de 152 milhões de viagens realizadas na cidade do Rio de Janeiro entre março e dezembro de 2019.

Uma das constatações do estudo é que as viagens curtas de aplicativo proporcionam níveis de acessibilidade muito mais altos do que as viagens de mesmo tempo realizadas por transporte público. Isso ocorre devido ao menor tempo de espera pelo carro e à maior velocidade média de deslocamento. Por exemplo, considerando uma viagem de 30 minutos com custo de até R$ 24, a acessibilidade média por carro de aplicativo é até sete vezes maior do que por transporte público.

Outro dado interessante é que a utilização combinada do Uber com o transporte público, ou seja, fazendo a corrida de aplicativo como complemento do sistema de transporte público, também aumenta significativamente o acesso ao emprego. Por exemplo, uma viagem de 60 minutos de Uber complementada por transporte público aumenta a acessibilidade média de emprego em 61%, quando o valor total da viagem é de R$ 18. Já uma viagem mais cara, no valor de R$ 24, aumenta o acesso em 75%.

No entanto, o estudo também aponta para a desigualdade econômica entre as classes sociais. Viagens mais longas, que permitem um maior acesso a oportunidades de emprego, acabam tendo um preço mais elevado. Isso restringe o acesso aos aplicativos de transporte por parte das pessoas de baixa renda.

Uma das soluções apontadas pelo pesquisador do Ipea, Rafael Moraes Pereira, é a maior integração dos sistemas de transporte público, além do subsídio do poder público. Ele defende que o modelo de financiamento exclusivamente com as receitas das tarifas pagas pelos passageiros não é sustentável economicamente na maioria das cidades brasileiras. Para ele, o transporte público é um benefício para toda a população e deve ser subsidiado por impostos e por outras formas de arrecadação, como cobrança de estacionamentos em áreas congestionadas e multas de trânsito.

Além disso, Pereira sugere que as cidades desenvolvam centros comerciais em áreas periféricas, próximas a estações de trem, por exemplo, para que oportunidades de emprego surjam em regiões mais afastadas.

O estudo também contou com a participação do gerente de políticas públicas da Uber, Pedro Santos, que destacou a importância da complementaridade entre os aplicativos de transporte e o sistema público de transporte. Segundo ele, os aplicativos de transporte não devem substituir os modais públicos, mas sim atuar como um complemento, especialmente nos trechos finais das viagens, conhecidos como “primeira e última milhas”.

Essa pesquisa do Ipea mostra que os aplicativos de transporte têm o potencial de melhorar a mobilidade urbana e aumentar o acesso a oportunidades de trabalho. No entanto, é fundamental que sejam implementadas políticas públicas que garantam a equidade no acesso a esses serviços, buscando reduzir as desigualdades e promover o desenvolvimento sustentável das cidades.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!



Botão Voltar ao topo