ECONOMIA –

Escola de Baristas Adota 4×3 e Registra Crescimento de 35% no Faturamento, Desafiando Normas do Trabalho no Brasil

Enquanto o debate sobre a carga horária de trabalho no Brasil avança, uma escola de baristas localizada em São Paulo implementou uma nova escala que tem gerado resultados impressionantes. A Coffe Lab, fundada em 2004 e com duas unidades e mais de 30 colaboradores, adotou um modelo de trabalho de quatro dias de atividade e três de descanso (4×3), afastando-se da tradicional escala de seis dias com um de folga (6×1). O resultado dessa mudança? Um crescimento de 35% no faturamento em um único ano, em meio a um contexto desafiador para o setor de alimentação.

Isabela Raposeiras, fundadora e torrefadora da Coffe Lab, destaca que a estratégia de priorizar a qualificação do descanso dos funcionários, em vez de simplesmente aumentar as horas trabalhadas, tem mostrado um impacto profundo na produtividade. “No último ano, mantivemos o mesmo cardápio e preços, mas mesmo assim, nossos números dispararam. Ficamos 17 dias fechados por obras e não fizemos nenhuma alteração na capacidade de atendimento”, relata ela, enfatizando que o aumento se deu apesar da crise que afetou amplamente o mercado.

A mudança de escala, que reduziu a carga semanal de 44 para 40 horas, trouxe três folgas por semana – incluindo duas consecutivas. Essa alteração, segundo Isabela, tem feito a equipe operar com maior concentração e motivação. “Funcionários descansados conseguem atender melhor e vender mais, o que é crucial no nosso ramo”, afirma.

Outro efeito positivo dessa transformação é a drástica redução na rotatividade de colaboradores. A empresa atualmente apresenta uma taxa de turnover de apenas 8%. Isabela aponta que, com a equipe estável, os custos com rescisões diminuíram significativamente, evitando gastos elevados com contratações e demissões recorrentes.

Funcionários como Tábata Lima de Oliveira, de 35 anos, evidenciam o impacto positivo na qualidade de vida. Antes, sob a carga intensa da escala 6×1, seu único dia de folga era consumido por sono e obrigações. “Eu me sentia desgastada, distante da família e, muitas vezes, lidava com crises de ansiedade”, compartilha. Com a nova jornada, ela agora tem tempo para cuidar da saúde, redes sociais e até viajar, permitindo-se um estilo de vida mais equilibrado.

A experiência da Coffe Lab traz à tona discussões relevantes sobre formas de trabalho que priorizam não só os resultados financeiros, mas também o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores. O que antes era apenas uma hipótese parece agora estar ganhando corpo na prática, apresentando-se como uma alternativa atrativa em tempos onde a saúde no ambiente de trabalho é cada vez mais valorizada.

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