ECONOMIA – Dólar volta a subir e fecha acima de R$ 5, enquanto bolsa brasileira enfrenta queda em meio a tensões políticas e externas.

Na última sexta-feira, o dólar alcançou um fechamento histórico, ultrapassando a marca de R$ 5,00 e atingindo seu maior valor em um mês. O encerramento do dia viu a moeda americana ser vendida a R$ 5,067, um aumento de R$ 0,081, ou 1,63%. Durante a jornada, a cotação chegou a atingir R$ 5,08 por volta do meio-dia, mas perdeu força no final do pregão.

Essa alta significativa da moeda dos Estados Unidos refletiu um cenário de aversão global ao risco, influenciado principalmente por eventos no Oriente Médio, pressões inflacionárias em várias economias, e tensões políticas internas no Brasil. Ao longo da semana, a moeda americana acumulou uma alta de 3,48%, embora tenha caído 7,70% em relação a 2026. A cotação atual é a mais elevada desde 8 de abril, quando havia encerrado o dia em R$ 5,10.

Por outro lado, o mercado de ações brasileiro teve um desempenho negativo, com o índice Ibovespa fechando em 177.284 pontos, marcando uma queda de 0,61%. As tensões fiscais e políticas no cenário doméstico, assim como o ambiente externo adverso, pressionaram os ativos brasileiros. O índice chegou a registrar uma desvalorização superior a 1% na manhã, mas conseguiu recuperações parciais ao longo do dia, especialmente devido ao desempenho das ações da Petrobras.

As expectativas no mercado internacional foram alimentadas pela possibilidade de que o Federal Reserve dos Estados Unidos elevasse as taxas de juros, em resposta a uma inflação global crescente, impulsionada pela alta do petróleo e tensões geopolíticas envolvendo Irã e EUA. A pressão foi intensificada após a inflação ao produtor no Japão ter chegado a 4,9% em abril, levando os juros dos títulos públicos japoneses a alcançarem os maiores patamares desde 1999.

Esses fatores também impactaram o fluxo de investimentos, com investidores optando por desfazer operações conhecidas como “carry trade”, que costumam movimentar recursos de países com juros baixos para aqueles com taxas mais altas, como o Brasil. Essa mudança resultou em um fortalecimento da moeda americana e uma posterior retirada de capital de economias emergentes.

Além disso, o clima político no Brasil foi marcado por incertezas, especialmente devido a desdobramentos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, o que levou os investidores a buscarem maior proteção em ativos em dólares.

No cenário internacional, o preço do petróleo também apresentou uma alta expressiva, registrando um aumento de mais de 3% devido às crescentes tensões no Oriente Médio e à falta de progresso nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo. O barril de Brent fechou em alta de 3,35%, enquanto o WTI teve um aumento de 4,2%.

O prolongamento da crise no Golfo Pérsico continua a elevar a preocupação com a inflação global, o que impacta juros e traz maior volatilidade para os mercados financeiros.

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