Essa alta significativa da moeda dos Estados Unidos refletiu um cenário de aversão global ao risco, influenciado principalmente por eventos no Oriente Médio, pressões inflacionárias em várias economias, e tensões políticas internas no Brasil. Ao longo da semana, a moeda americana acumulou uma alta de 3,48%, embora tenha caído 7,70% em relação a 2026. A cotação atual é a mais elevada desde 8 de abril, quando havia encerrado o dia em R$ 5,10.
Por outro lado, o mercado de ações brasileiro teve um desempenho negativo, com o índice Ibovespa fechando em 177.284 pontos, marcando uma queda de 0,61%. As tensões fiscais e políticas no cenário doméstico, assim como o ambiente externo adverso, pressionaram os ativos brasileiros. O índice chegou a registrar uma desvalorização superior a 1% na manhã, mas conseguiu recuperações parciais ao longo do dia, especialmente devido ao desempenho das ações da Petrobras.
As expectativas no mercado internacional foram alimentadas pela possibilidade de que o Federal Reserve dos Estados Unidos elevasse as taxas de juros, em resposta a uma inflação global crescente, impulsionada pela alta do petróleo e tensões geopolíticas envolvendo Irã e EUA. A pressão foi intensificada após a inflação ao produtor no Japão ter chegado a 4,9% em abril, levando os juros dos títulos públicos japoneses a alcançarem os maiores patamares desde 1999.
Esses fatores também impactaram o fluxo de investimentos, com investidores optando por desfazer operações conhecidas como “carry trade”, que costumam movimentar recursos de países com juros baixos para aqueles com taxas mais altas, como o Brasil. Essa mudança resultou em um fortalecimento da moeda americana e uma posterior retirada de capital de economias emergentes.
Além disso, o clima político no Brasil foi marcado por incertezas, especialmente devido a desdobramentos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, o que levou os investidores a buscarem maior proteção em ativos em dólares.
No cenário internacional, o preço do petróleo também apresentou uma alta expressiva, registrando um aumento de mais de 3% devido às crescentes tensões no Oriente Médio e à falta de progresso nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo. O barril de Brent fechou em alta de 3,35%, enquanto o WTI teve um aumento de 4,2%.
O prolongamento da crise no Golfo Pérsico continua a elevar a preocupação com a inflação global, o que impacta juros e traz maior volatilidade para os mercados financeiros.





