No contexto do Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro, a projeção é de que a DPF encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Apesar do aumento, é importante ressaltar que a dívida ainda permanece abaixo das expectativas traçadas no PAF. Essa situação revela um cenário financeiro que, embora preocupante em certos aspectos, está sendo administrado com atenção pelas autoridades econômicas.
Um detalhe importante sobre a composição da dívida foi o avanço da Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), que cresceu 2,72%, passando de R$ 8,962 trilhões em maio para R$ 8,921 trilhões em junho. No entanto, o Tesouro só conseguiu resgatar R$ 6,14 bilhões em um mês em que as emissões atingiram R$ 149,49 bilhões. Um dado saliente é que R$ 102,57 bilhões desse total correspondem a títulos vinculados à Selic, o que demonstra um forte apetite do mercado por essa modalidade de investimento, impulsionada pela taxa de juros atualmente fixada em 14,25% ao ano.
A Dívida Pública Federal externa (DPFe) também registrou um incremento de 2,12%, subindo de R$ 340,49 bilhões para R$ 347,71 bilhões, influenciada pela valorização do dólar no período. Outro aspecto que merece destaque é a ampliação do “colchão” da dívida pública, uma reserva financeira crucial em momentos de incerteza. Em junho, esse colchão cresceu para R$ 1,346 trilhão, o que representa a maior quantia desde o início da série histórica em 2015.
A estrutura da DPF também passou por alterações significativas. Os títulos atrelados à Selic representaram quase metade da dívida, aumentando de 48,99% para 49,32%. Os títulos atrelados à inflação e prefixados também seguiram o movimento, esses últimos permanecendo em uma faixa que assegura maior previsibilidade ao governo em termos de gestão da dívida.
O prazo médio da DPF, que reflete a confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar seus compromissos financeiros, diminuiu de 4,07 para 4,01 anos. Tais números são importantes, pois um prazo mais curto pode indicar uma maior desconfiança no cenário econômico, o que pode dificultar a captação de recursos no futuro.
Por fim, a composição dos detentores da DPF mostra que instituições financeiras e fundos de pensão continuam a ser os principais investidores, enquanto a participação de investidores estrangeiros caiu ligeiramente. Um aumento na presença de não residentes normalmente indicaria uma maior confiança internacional na economia brasileira, algo que se torna ainda mais relevante em tempos de volatilidade no mercado, como o atual momento marcado por incertezas globais.





