Em agosto do ano passado, a DPF ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 8 trilhões e, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF) apresentado em janeiro, estima-se que esse valor pode alcançar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final de 2026. Em abril, a Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) também cresceu, passando de R$ 8,302 trilhões para R$ 8,462 trilhões, em um contexto onde o Tesouro emitiu R$ 68,04 bilhões a mais do que resgatou.
Um dos fatores que impulsionaram o crescimento da DPF foi a apropriação de R$ 92,54 bilhões em juros, que são incorporados ao valor total da dívida a cada mês. Essa prática, somada à forte emissão de títulos, pressiona o endividamento do governo. Em abril, o Tesouro emitiu R$ 201,09 bilhões em DPMFi, um recorde histórico, que visou não apenas substituir títulos que venceram, mas também atender à demanda dos investidores.
Apesar desse cenário de alta nas emissões, os resgates também foram significativos, totalizando R$ 133,05 bilhões. Isso se deve ao fato de que, tradicionalmente, o início de cada trimestre registra um maior volume de vencimentos de títulos prefixados.
Além disso, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) registrou um crescimento de 1,28%, avançando de R$ 331,64 bilhões para R$ 335,88 bilhões, mesmo com a queda do dólar. Esse aumento está relacionado a uma emissão expressiva de 5 bilhões de euros realizada em abril.
Observa-se ainda que, após uma queda em março, as reservas financeiras acessíveis ao governo, conhecidas como colchão da dívida pública, subiram de R$ 885 milhões para R$ 1,091 trilhão. Esse montante é considerado essencial para enfrentar períodos de turbulência econômica e cobre cerca de 8,91 meses dos vencimentos da dívida pública, enquanto nos próximos 12 meses estão projetados vencimentos que totalizam R$ 1,649 trilhão.
A composição dos títulos da DPF também sofreu alterações. Os títulos vinculados à Selic passaram a representar 48,59% da dívida, enquanto os prefixados diminuíram sua participação para 20,85%. O PAF estima que, até o fim do ano, os títulos atrelados à Selic deverão oscilar entre 46% e 50% do total, indicando uma tendência crescente pela busca de segurança em meio à volatilidade do mercado.
Os prazos médios da DPF subiram levemente de 4,1 para 4,12 anos, sugerindo que os investidores demonstram mais confiança no governo ao conceder prazos mais longos para o pagamento da dívida. No que diz respeito aos detentores da DPF interna, as instituições financeiras lideram, seguidas por fundos de pensão e de investimento, com uma ligeira queda na participação de investidores estrangeiros, o que pode ser um reflexo da incerteza gerada por eventos geopolíticos.
Com essas movimentações, o governo brasileiro continua a navegar por um cenário econômico desafiador, utilizando a dívida pública como um meio estratégico para honrar seus compromissos financeiros.
