O Banco Central reiterou que está atento às instabilidades decorrentes dos conflitos na região, especialmente os impactos que um prolongamento da tensão possa ter sobre a inflação. O conflito entre os EUA e o Irã, que afeta a navegação no Estreito de Ormuz, é particularmente preocupante, uma vez que essa rota é vital para o transporte de petróleo e produtos relacionados. Essa situação gera um ambiente de incerteza, exigindo cautela por parte dos países emergentes diante da volatilidade nos preços de ativos e commodities.
A expectativa antes do agravamento da situação era de uma desaceleração mais significativa na Selic. Contudo, o Copom alerta para os riscos de uma desancoragem nas expectativas de inflação, especialmente em horizontes mais longos, como 2028. O último boletim Focus do mercado financeiro apontou uma previsão de inflação de 4,89% para este ano e 4% para 2027, com uma leve alta projetada para 2028, que agora se encontra em 3,64%.
A autarquia destacou que o ônus para controlar a inflação aumenta consideravelmente quando as expectativas do mercado não estão alinhadas, o que justifica a manutenção de uma política monetária restritiva. Ao longo de quase dois anos, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas. O Copom, que começou a reduzir os juros em março, enfrenta agora a dificuldade imposta pelos efeitos da guerra no aumento dos preços de combustíveis e alimentos.
Ainda assim, o comitê acredita que as circunstâncias atuais não devem interromper o ciclo de cortes na Selic, defendendo ajustes na política monetária que possibilitem que a inflação convirja para a meta estabelecida, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Esse cenário demonstra a complexidade enfrentada por bancos centrais em tempos de incerteza global.
