O estudo foi elaborado a partir de análises detalhadas que consideraram projeções populacionais e a demanda futura por transporte, com um horizonte de até 30 anos. A iniciativa tem como metas principais não apenas a melhoria da qualidade de vida e segurança para os usuários, mas também a geração de emprego e a diminuição das emissões de dióxido de carbono (CO₂). Entre os investimentos propostos, destacam-se expansões de metrôs, trens urbanos, sistemas BRT, VLTs e corredores dedicados ao transporte.
Um dos primeiros projetos aprovados sob essa nova diretriz é a ampliação da atual rede de transporte de Belo Horizonte, que passará de 84,2 km para uma futura extensão de 314,1 km, com um investimento de R$ 35,6 bilhões. As cidades beneficiadas pelo estudo incluem grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília, entre outros.
O BNDES se coloca como um importante financiador através do Fundo Clima, que é focado na redução de emissões de gases de efeito estufa e na adaptação às mudanças climáticas. O diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, afirma que essa carta de projetos irá orientar o governo federal, prefeitos e governadores nas suas ações de transporte.
Para o ministro das Cidades, Vladimir Lima, a proposta representa um avanço significativo na mobilidade urbana do Brasil, semelhante à importância do programa Minha Casa Minha Vida. Ele ressalta que as soluções apresentadas devem incluir aspectos sociais, garantindo segurança e qualidade ao transporte, enquanto melhoram a vida das pessoas, permitindo que elas dediquem mais tempo a atividades produtivas.
Luciene Machado, superintendente da Área de Soluções para as Cidades do BNDES, destaca que o estudo tem o objetivo de romper com um ciclo vicioso, onde a receita disponível para investimentos é inferior às necessidades das cidades. Hoje, os investimentos em mobilidade urbana correspondem a apenas 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, mas podem ser ampliados para 0,25%, o que representaria um incremento significativo de recursos.
Os benefícios esperados com os 187 projetos incluem a redução do tempo de deslocamento em até 15%, aumento nas taxas de embarque e diminuição dos custos operacionais. Além disso, estima-se uma eliminação de até 3 milhões de toneladas de CO₂ por ano, aumento da acessibilidade em 30% e a prevenção de mais de 27 mil acidentes anualmente.
O processo de implementação também será responsável por gerar mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos anualmente, além da necessidade de uma frota robusta de ônibus elétricos e composições metroferroviárias. A maior parte dos investimentos será oriunda de recursos públicos, com a participação da iniciativa privada por meio de Parcerias Público-Privadas. O projeto busca ainda um sistema integrado de transporte, com bilhetagem única e tarifas unificadas.
