Durante a Assembleia Geral Extraordinária, a proposta estabeleceu a emissão de ações ordinárias e preferenciais, com um limite de até R$ 8,81 bilhões. Cada nova ação será submetida ao mercado pelo preço de R$ 5,36 em uma subscrição privada. Os gestores do BRB buscam um aumento do capital social da instituição, que atualmente é de R$ 2,344 bilhões, podendo chegar a um mínimo de R$ 2,88 bilhões e um máximo de R$ 11,16 bilhões.
O principal objetivo do aumento de capital é garantir níveis adequados de capitalização para o banco, ampliar sua capacidade operacional e reforçar sua estrutura financeira. Essa medida é considerada essencial para melhorar os indicadores de solvência e saúde patrimonial da instituição. Para facilitar essa iniciativa, os acionistas também autorizaram o Conselho de Administração do BRB a tomar as providências necessárias para efetivar o aumento de capital.
Além disso, na mesma assembleia, foram homologadas as nomeações do atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e dos novos membros do Conselho de Administração, Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito.
O BRB, instituído em 1964, enfrenta uma das mais graves crises institucionais de sua história. A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, revelou um esquema de fraudes financeiras que resultou em um prejuízo bilionário ao banco, oriundo da aquisição de créditos do Banco Master. O controlador deste banco, Daniel Vorcaro, encontra-se preso, e a investigação resultou no afastamento do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que é alvo de acusações relacionadas a corrupção e lavagem de dinheiro.
Recentemente, o BRB anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora de fundos Quadra Capital, que se comprometeu a adquirir os ativos problemáticos do Banco Master. A gestora deve pagar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista, além de outros valores futuros, dependendo do sucesso na recuperação dos créditos. No entanto, a operação ainda requer a análise do Banco Central.
Especialistas, como o economista César Bergo, acreditam que este acordo pode proporcionar um alívio temporário para o BRB, mas não resolverá a crise de forma definitiva. É evidente que o banco precisará de outras medidas, incluindo um pedido de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos e uma possível reavaliação de sua estratégia de negócios para navegar por esse período turbulento.







