A instituição destacou que essa mudança permitirá que os recursos aportados comecem a ter impacto no capital do banco de forma gradual, sem comprometer as etapas ainda pendentes do processo. Anteriormente, o BRB necessitava esperar a conclusão total do processo de captação antes de receber a aprovação final da instituição reguladora.
Em abril, os acionistas do BRB já haviam dado luz verde para o aumento de capital, cuja principal controladora é o Governo do Distrito Federal (GDF), detentor de 53,7% das ações do banco. O montante a ser levantado permitirá a emissão de ações ordinárias e preferenciais, com cada ação avaliada em R$ 5,36 para subscrição privada. Com esse incremento, o capital social do banco poderá subir de R$ 2,344 bilhões para pelo menos R$ 2,88 bilhões, podendo chegar até R$ 11,16 bilhões.
Outra mudança anunciada é a extensão do prazo para que os acionistas existentes adquiram novas ações. O BRB informou que o prazo foi prorrogado até 3 de junho, visando garantir que todos os acionistas, com ou sem a intenção de exercer o direito de preferência, mantenham sua participação.
O BRB, que foi criado em 1964, enfrenta uma crise institucional sem precedentes, resultante de um esquema de fraudes financeiras revelado pela Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. Essa operação apontou que o banco acumulou um prejuízo bilionário após adquirir ativos considerados de alto risco do Banco Master, cuja controladora, Daniel Vorcaro, está preso sob investigação de fraudes.
As investigações também levaram ao afastamento e prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de colusão no caso. Embora o banco ainda não tenha apresentado suas atualizações contábeis ao Banco Central, as estimativas indicam que o prejuízo pode superar os R$ 10 bilhões.
Diante dessa situação complexa, o governo do DF está buscando o apoio do Supremo Tribunal Federal para assegurar uma linha de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O GDF argumenta que a intervenção federal se faz necessária para a continuidade das operações do banco, assim como para a recuperação e a regularização de suas contas.
As medidas em andamento são cruciais para que o BRB se adeque às exigências regulatórias e possa prosseguir em suas atividades após as recentes turbulências.
