Na última reunião, realizada na semana passada, o comitê reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo a taxa em 14,25% ao ano — um corte que marca a terceira redução consecutiva desde março. Antes disso, a Selic havia se mantido em 15% ao ano, o maior índice registrado em duas décadas.
A ata da reunião revela que as incertezas em torno da inflação podem ser atribuídas a fatores externos, como o conflito no Oriente Médio, que afeta significativamente os custos globais de petróleo e combustíveis, além das potenciais consequências climáticas associadas ao fenômeno El Niño. Essa análise ressalta a complexidade da situação econômica atual, onde o BC busca um equilíbrio entre a demanda de redução da Selic e as pressões inflacionárias ascendentes.
O Copom enfatizou a necessidade de cautela na condução das políticas monetárias. Em um contexto marcado por alta incerteza, o comitê está preparado para adaptar suas decisões em resposta a novas informações que possam surgir, especialmente em relação à intensidade e duração do conflito no Oriente Médio e como isso pode impactar os preços no país.
A recente inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) revelou uma pressão considerável, com a taxa acumulada nos últimos 12 meses alcançando 4,72%. Essa cifra está acima do limite superior da meta de inflação, que varia entre 1,5% e 4,5%. Diante desses dados, o BC reconhece que o contexto inflacionário a curto prazo é desafiador e está sendo puxado para cima por aumentos no custo de vida, especialmente os preços de alimentos.
Apesar da redução gradual da Selic, a ata do Copom reafirma uma postura firme e cautelosa. Em um cenário onde a atividade econômica doméstica se mantém resistente, complicando a desaceleração da inflação de serviços, os diretores do BC deixaram claro que os futuros ajustes na taxa de juros dependerão de novos dados econômicos que venham a surgir.
O comitê também observou que as simulações de cenários realizados durante a reunião indicaram que combinações de pausas e retomadas no ciclo de juros geram uma menor volatilidade econômica, possibilitando a convergência da inflação para o centro da meta até o primeiro trimestre de 2028. Com isso, o BC busca assegurar um caminho sustentável para a economia, mesmo diante das incertezas que permeiam o cenário atual.
