ECONOMIA – Banco Central exige auditoria independente para corretoras de criptomoedas a partir de junho, aumentando segurança e transparência no mercado de ativos virtuais.

A partir do dia 1º de junho, as empresas que operam no mercado de ativos virtuais, como as corretoras de criptomoedas, enfrentarão novas exigências regulatórias estabelecidas pelo Banco Central do Brasil. Com a recente instrução normativa, essas organizações passarão a ser obrigadas a apresentar um relatório de auditoria independente para obter a autorização necessária para o seu funcionamento. As diretrizes contemplam as chamadas Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs) e visam aprimorar a regulamentação do setor.

A medida se insere em um contexto mais amplo de regulamentação que foi iniciada no ano anterior. O Banco Central determinou que as empresas precisam submeter um relatório de “asseguração razoável”, elaborado por uma auditoria independente devidamente registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Este documento terá a função de avaliar tecnicamente os mecanismos utilizados pelas plataformas para prevenir crimes financeiros, tais como a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo.

Além de garantir que as empresas possuam controles adequados para a identificação de operações suspeitas e para o monitoramento de transações, essa auditoria visa assegurar o cumprimento das legislações brasileiras sobre prevenção a ilícitos. O Banco Central enfatiza que essa nova exigência, ao introduzir auditorias independentes, busca aumentar a segurança nos processos de autorização e alinhar o Brasil aos padrões internacionais de supervisão do mercado de criptoativos.

A introdução deste relatório faz parte de um pacote regulatório mais abrangente. Em novembro do ano passado, o Banco Central já havia instituído as primeiras regras para o funcionamento do mercado de ativos virtuais no Brasil, criando as SPSAV e estabelecendo critérios para operações de governança e combate à lavagem de dinheiro. A intenção, naquela oportunidade, era encontrar um equilíbrio entre inovação e segurança, minimizando as oportunidades para fraudes e golpes financeiros.

Em fevereiro deste ano, a situação se tornou ainda mais rigorosa, quando o Conselho Monetário Nacional ampliou as obrigações para o setor, exigindo que as plataformas de criptoajam sob regras semelhantes às das instituições financeiras tradicionais. Isso incluiu a obrigação de manter sigilo sobre dados e operações dos clientes, conforme a legislação brasileira sobre sigilo bancário.

As SPSAV, por sua vez, são entidades autorizadas a prestar uma variedade de serviços relacionados a ativos virtuais, que vão desde a intermediação até a custódia e negociação de criptomoedas e tokens. A criação dessa categoria foi prevista na Lei 14.478, de 2022, que institui o marco legal para os criptoativos, e um decreto federal de 2023 designou o Banco Central como a autoridade responsável pela regulação desse setor no país.

Essas novas diretrizes regem um mercado que tem crescido exponencialmente, e as medidas representam um esforço crucial para promover maior transparência e resistir a práticas ilícitas que podem comprometer a integridade do sistema financeiro.

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