O Banco Central argumenta que o aumento nas projeções reflete um ambiente de otimismo, impulsionado por políticas fiscais e creditícias que fomentam a demanda interna. Entretanto, a instituição alertou que a expectativa de uma trajetória elevada para as taxas de juros poderá limitar esse impulso econômico. O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém a Selic em 14,25% ao ano, após cortes recentes, que visam controlar a inflação que, mesmo com a desaceleração em alguns setores, ainda se encontra acima das metas estabelecidas.
A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apresentou um crescimento de 0,58% em maio, incluindo pressão significativa dos preços dos alimentos. Nesse contexto, as previsões de inflação para os próximos anos foram revisadas para cima, com aumento da probabilidade de que a inflação supere o limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2027, espera-se uma inflação projetada em torno de 3,7%, mas o Banco Central sinaliza que existem incertezas em relação ao impacto de crises externas, como os conflitos no Oriente Médio, que dificultam a queda dos juros e exigem cautela nas previsões econômicas.
Em relação ao mercado de crédito, a expectativa de crescimento permanece em 9%, embora haja ajustes nas projeções entre crédito livre e direcionado. Iniciativas governamentais têm proporcionado suporte ao crédito para famílias e pequenas empresas, mas o cenário ainda indica uma desaceleração contínua no crédito pelo segundo ano consecutivo.
Finalmente, o déficit em transações correntes foi reduzido para US$ 56 bilhões, o que representa 2,1% do PIB em 2026. Esse ajuste é atribuído principalmente ao aumento do saldo comercial, estimulado pela elevação dos preços das exportações, especialmente no setor agropecuário e energético. Contudo, embora as perspectivas sejam mais positivas, a situação ainda é permeada por riscos significativos, exigindo um monitoramento atento por parte das autoridades econômicas.
