Segundo especialistas, essa prática de utilizar o crediário para despesas do dia a dia pode provocar uma desorganização financeira significativa. A socióloga Adriana Marcolino ressalta que as pessoas estão recorrendo ao crédito como uma extensão de sua renda, quando este deveria ser reservado para aquisições mais relevantes e duradouras.
A rápida facilitação do crédito também pode intensificar o fenômeno da “ansiedade de consumo”, conforme destaca a economista Katherine Hennings. A busca por satisfazer imediatamente as necessidades de compra, impulsionada por fatores como publicidade e a influência de personalidades da internet, leva muitos a não considerarem as reais implicações financeiras de suas decisões. A facilidade de acesso ao crédito contribui para que os consumidores não avaliem adequadamente se os compromissos financeiros assumidos cabem em seus orçamentos.
A falta de planejamento financeiro é um ponto crítico. Ao ignorar os custos envolvidos em parcelar uma compra, muitos acabam se endividando com juros altos, utilizando opções como o cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito. Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, enfatiza a importância de avaliar os juros antes de decidir por uma compra parcelada.
Outro aspecto problemático é a falsa percepção de que o limite do cartão de crédito ou do cheque especial se agrega à renda do trabalhador. A economista Isabela Tavares alertou que essa visão distorcida pode levar a um endividamento excessivo. Para ela, é fundamental que a população receba educação financeira adequada, a fim de tomar decisões mais conscientes sobre gastos e investimentos.
Em um panorama alarmante, os dados do Banco Central revelam que a inadimplência das famílias alcançou R$238,5 bilhões, afetando 81,7 milhões de pessoas, a maioria delas com rendas mais baixas. Essas pessoas frequentemente recorrem a empréstimos com taxas elevadas, comprometendo ainda mais suas finanças.
Especialistas concordam que é necessário um esforço conjunto para promover a educação financeira e um entendimento mais profundo sobre o uso do crédito. Foram criadas iniciativas, como plataformas e cartilhas, para orientar o consumidor, especialmente em tempos de crises financeiras, como a atual. O enfoque deve estar em evitar não apenas o endividamento, mas também garantir uma gestão mais saudável das finanças pessoais.





