Esses dados foram divulgados recentemente pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador do setor, que monitora os reajustes praticados pelas operadoras. A última vez em que os planos coletivos tiveram um aumento menor foi em 2021, quando o índice foi de 6,43%, influenciado pela pandemia e pela consequente redução em consultas, exames e cirurgias eletivas.
Analisando os reajustes ao longo dos últimos anos, nota-se uma tendência de oscilações. Em 2016, por exemplo, o aumento foi alarmante, chegando a 15,74%, e nos anos subsequentes, as variações permaneceram elevadas, mas oscilaram: 14,24% em 2017 e 11,96% em 2018. Já em 2020, o aumento caiu para 7,71%, antes de subir novamente em anos posteriores, atingindo 14,13% em 2023 e 13,18% em 2024.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) frequentemente critica esses aumentos que superam a inflação, ressaltando a dificuldade que muitos consumidores enfrentam para acompanhar tais reajustes. Em resposta, a ANS argumenta que não é adequado fazer comparações diretas entre a inflação e os reajustes dos planos de saúde, uma vez que os cálculos da agência levam em conta variáveis como os custos com serviços de saúde e a frequência de utilização desses serviços.
No que diz respeito à regulamentação dos reajustes, os planos de saúde coletivos operam de forma diferente dos planos individuais. Nos coletivos, as negociações ocorrem entre a contratante (como empresas ou associações) e a operadora, sendo que os planos com menos de 30 beneficiários seguem um percentual de reajuste padrão por operadora.
Os dados mais recentes indicam que, até março de 2026, o Brasil contava com 53 milhões de vínculos de planos de saúde, refletindo um aumento de 906 mil em relação ao ano anterior. Desses, 84% eram de planos coletivos. Em termos financeiros, o setor de saúde suplementar obteve receitas totais de R$ 391,6 bilhões em 2025, com um lucro líquido de R$ 24,4 bilhões, correspondente a cerca de 6,20% de lucro sobre cada R$ 100 recebidos. Essa situação levanta um debate sobre a sustentabilidade e a acessibilidade dos serviços de saúde no Brasil, visando um equilíbrio entre os custos e os direitos dos consumidores.
