ECONOMIA – Acordo Mercosul-União Europeia: 26 anos de negociações e tarifas zeradas impulsionam comércio entre Brasil e Europa a partir de hoje.

Em um marco histórico para as relações comerciais na América do Sul e Europa, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia finalmente entrou em vigor nesta sexta-feira. Após 26 anos de negociações, esse tratado estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, permitindo que produtos brasileiros possam ser exportados ao continente europeu com tarifas significativamente reduzidas.

A implementação deste acordo foi celebrada como um avanço crucial para a integração comercial, trazendo uma nova dinâmica para a competitividade das empresas brasileiras. Os termos do acordo foram firmados em janeiro, na cidade de Assunção, no Paraguai, por representantes dos dois blocos. Contudo, a Comissão Europeia decidiu que a aplicação do tratado será provisória até que um tribunal em Bruxelas avalie sua compatibilidade legal, um processo que pode levar até dois anos.

Com a entrada em vigor do acordo, mais de 80% das exportações brasileiras usufruirão de tarifas zeradas ao entrarem no mercado europeu. Isso significa que, na prática, a maioria dos produtos brasileiros poderá ser comercializada na Europa sem as tarifas tradicionais que encarecem os preços e dificultam a competitividade. Produtos industriais, alimentos e matérias-primas abrangem os mais de 5 mil itens que já entram na categoria de tarifa zero nesse início de implementação.

Destaca-se que cerca de 93% dos produtos com tarifas zeradas são bens industriais, o que indica que a indústria brasileira será a principal beneficiada em um curto prazo. Setores como máquinas e equipamentos, metalurgia, produtos químicos e alimentos devem sentir os impactos positivos desse novo cenário comercial, com a redução de custos sendo um fator crucial para a expansão no mercado europeu.

A conexão entre Mercosul e União Europeia envolve mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado que chega a cifras trilionárias, representando uma oportunidade significativa para o Brasil aumentar seu alcance comercial. Atualmente, países que mantêm acordos com o Brasil correspondem a aproximadamente 9% das importações globais; entretanto, com a entrada da União Europeia, esse percentual poderá ultrapassar 37%.

Vale ressaltar que a transição para tarifas zero não ocorrerá de forma uniforme. Para produtos considerados sensíveis, haverá uma redução progressiva, ajustando-se ao longo de até 10 anos na Europa, até 15 anos no Mercosul e, em alguns casos, até 30 anos, buscando proteger setores mais vulneráveis da concorrência externa.

Com a promulgação do acordo, que foi destacada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma cerimônia recente, o governo brasileiro reitera o compromisso com o multilateralismo e a cooperação internacional. Este é apenas o começo de uma nova fase nas relações comerciais entre essas regiões, e as entidades empresariais de ambos os lados agirão proativamente para assegurar que os benefícios do acordo sejam plenamente aproveitados.

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