Em março, o Brasil comunicou à Comissão Europeia que havia concluído o processo de ratificação do acordo. Em resposta, a UE também enviou sua confirmação no final do mesmo mês, atendendo a todas as exigências estipuladas no texto do acordo. Recentemente, o Congresso Nacional brasileiro também promulgou a proposta, embora ainda restem algumas formalidades para a implementação completa. O decreto de promulgação, que é o último passo para tornar o acordo parte do ordenamento jurídico nacional, está prestes a ser concluído.
Esse pacto, resultado de mais de duas décadas de negociações, é considerado um dos mais significativos projetos de integração econômica para o Brasil. Com a expectativa de expandir o acesso das empresas brasileiras a um dos maiores mercados globais, o governo brasileiro reafirma seu compromisso em promover a plena implementação do acordo, em colaboração com os outros membros do Mercosul e a União Europeia. A expectativa é que seus benefícios se traduzam em crescimento econômico, geração de empregos e desenvolvimento sustentável.
Entre os impactos esperados, o acordo contempla a redução gradual de tarifas, a eliminação de barreiras comerciais e uma maior previsibilidade regulatória. Tais medidas são vistas como essenciais para impulsionar as exportações brasileiras, atrair investimentos e integrar o Brasil nas cadeias globais de valor, além de aumentar a oferta de produtos europeus no mercado brasileiro.
No entanto, mesmo com o avanço das negociações, o acordo enfrenta resistência dentro da Europa. Países como França, Polônia, Irlanda e Áustria expressam preocupação quanto aos impactos que o tratado pode ter sobre o setor agrícola, diante da potencial concorrência com produtos sul-americanos. O presidente francês, Emmanuel Macron, demonstrou descontentamento com a aceleração da aplicação, enquanto agricultores e ambientalistas europeus se manifestam contrários ao tratado.
Por outro lado, nações como Alemanha e Espanha veem o acordo como uma oportunidade, beneficiando-se comercialmente e estrategicamente ao diversificarem seus parceiros e acessarem recursos naturais. O tratado, entretanto, ainda precisa passar pela análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar sua entrada em vigor definitiva caso sejam detectadas desarmonias com as normas do bloco.






