Por outro lado, há uma facção da oposição que se apresenta sob uma perspectiva mais técnica. Esses parlamentares argumentam que é viável desenvolver uma legislação que permita a retirada de conteúdos associados à pedofilia e à exploração sexual sem comprometer a liberdade de expressão. Eles estão dispostos a promover o debate por meio de audiências públicas e discussões no Congresso, mesmo que isso signifique enfrentar resistência e ataques nas redes sociais. Essa abordagem, embora favorável à proteção de crianças e adolescentes, também traz à tona um debate mais amplo sobre a responsabilidade das plataformas digitais no controle do conteúdo que circula em suas redes.
Essas divergências, embora existentes há algum tempo, ganharam nova força devido à crescente visibilidade das denúncias de sexualização infantil na internet. O tema, que antes poderia passar despercebido, agora se tornou central nas disputas políticas e ideológicas. O dissenso reflete não apenas diferenças de tática, mas também variados posicionamentos sobre como equilibrar a liberdade de expressão e a responsabilidade das redes sociais.
Um exemplo marcante dessa tensão é a proposta da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que sugere a criminalização de perfis anônimos nas redes sociais. Sua proposta, defendida como uma forma de facilitar investigações sobre crimes contra crianças e adolescentes, foi alvo de críticas de seus colegas de direita. Para alguns opositores, isso representa um alinhamento com o chamado “centrão”, o que ilustra ainda mais a dificuldade em encontrar um consenso dentro do bloco oposicionista sobre um tema tão delicado e controverso. Essa fragmentação não só revela a complexidade da questão, mas também dificulta a elaboração de soluções eficazes e consensuais diante de um problema tão sério e urgente na sociedade.