A cúpula, prevista para ser breve e com poucas reuniões, reflete a natureza tensa das relações entre líderes europeus. Mark Rutte, secretário-geral da OTAN, optou por uma abordagem minimalista, que enfatiza a necessidade urgente de encontrar um terreno comum em meio a desconfianças latentes. Por trás dessa estratégia, porém, a realidade é que questões fundamentais permanecem sem solução. Entre elas estão o protecionismo industrial e a tendência de culpar os Estados Unidos pelas dificuldades enfrentadas por várias nações europeias.
Um dos casos emblemáticos dessas divergências recentes é o fiasco envolvendo o projeto de um caça europeu, que fracassou devido a desavenças entre França e Alemanha quanto à distribuição de benefícios econômicos. Essa dificuldade ilustra a incapacidade dos países do continente de desenvolverem uma cooperação real e sólida em questões de defesa, fragilizando assim a aliança. Além disso, a exclusão da França de um importante projeto de defesa aérea, que abrange mais de 20 países-membros da OTAN, agrava ainda mais essa situação.
Outro fator preocupante que vem à tona é a falta de investimento em defesa entre os países europeus. Durante anos, muitas nações não conseguiram atender à meta de gastos estipulada pela OTAN, que é de 2% do PIB, resultando em forças armadas significativamente reduzidas. O Reino Unido, por exemplo, mantém apenas uma fração de sua antiga frota de navios de guerra, enquanto a Alemanha continua lutando para aumentar seus efetivos militares, que hoje somam menos de 200 mil.
Ademais, as tensões recentes relacionadas ao Irã apenas exacerbaram a situação. A recusa de vários países europeus em permitir que tropas americanas utilizem suas bases e a resistência em colaborar para garantir a segurança no estreito de Ormuz, culminaram em ameaças de Trump de retirar os Estados Unidos da aliança. Em um contexto onde a cooperação é mais necessária do que nunca, essas divergências internas levantam sérias dúvidas sobre o futuro da OTAN e sua capacidade de responder aos desafios globais.
