A cena em questão apresentava a personagem Cathy, interpretada por Margot Robbie, com as axilas cobertas de pelos, algo que, segundo Fennell, representava uma fidelidade necessária à realidade da época retratada no romance de Emily Brontë. “Cathy tinha axilas extremamente peludas, mas, infelizmente, a cena em que as vemos não entrou no filme”, lamentou a diretora, evidenciando sua frustração com a falta de autenticidade nas representações culturais das mulheres em filmes de época.
Fennell também se permitiu criticar a estética predominante em adaptações de clássicos, caracterizadas por uma feminilidade que se aproxima do irreal. “Elas são todas meio sem pelos, parecidas com enguias. Eu fico pensando: ‘O que está acontecendo? Isso é uma loucura total’”, afirmou, refletindo sobre a necessidade de resgatar a diversidade das aparências femininas.
Seu filme, que também conta com Jacob Elordi no elenco, é descrito por Fennell como uma “irmã, não uma gêmea” da obra original de Brontë, ressaltando que uma adaptação fiel ao clássico é um objetivo desafiador. O filme não se limitou a essa polêmica, apresentando escolhas visuais ousadas, como o intrigante “quarto da pele”, projetado pelo personagem Edgar Linton, que tinha a intenção de capturar a essência de Cathy em um ambiente surreal.
Outro destaque do filme é uma cena intrigante, onde Cathy insere o dedo em um peixe morto. “Tínhamos todos os tipos de peixe. Peixes com batom, peixes de verdade, peixes falsos”, comentou Fennell, revelando a dedicação à autenticidade no processo criativo, que culminou em uma série de desafios para Robbie, que lidou com 12 peixes durante as gravações.
Em suas reflexões sobre o processo criativo, Fennell enfatizou a importância de arriscar-se e não temer aparecer “ridícula” ou “constrangedora”. “Hoje existe um medo enorme de parecer sincero. Quero me jogar de um penhasco criativamente”, afirmou, demonstrando sua disposição para encarar desafios artísticos.
Ao final do evento, a cineasta anunciou sua intenção de fazer uma pausa temporária no cinema, dedicando-se a ler romances da autora Sarah J. Maas e trabalhar em um novo projeto que, segundo ela, é “tão depravado e maligno” que pode ser considerado um desafio para qualquer realizador.
