“Diretor da Voepass se defende após queda de avião que matou 62: ‘não tinha conhecimento de problemas'”, afirma advogado em nota oficial.

Investigação sobre Acidente Aéreo Envolve Diretores da Voepass

A queda do voo 2283 da Voepass, que resultou na trágica perda de 62 vidas em Vinhedo, em 2024, deu início a uma complexa investigação da Polícia Federal. Recentemente, a defesa de José Luiz Felício Filho, atual diretor-presidente e proprietário da companhia, divulgou uma declaração buscando esclarecer a posição de seu cliente. Segundo a defesa, Felício Filho não tinha conhecimento de problemas específicos que existiam antes do acidente.

O advogado Roberto Podval, responsável pela defesa, enfatizou que, na época da tragédia, Felício não estava envolvido diretamente nas operações diárias da Voepass desde 2017, uma vez que fazia parte apenas do conselho da empresa. Ele também garantiu que, quando tomou ciência de falhas na comunicação acerca de questões técnicas, imediatamente tomou providências para assegurar que os protocolos de segurança fossem seguidos rigorosamente.

Contudo, essa narrativa se contrasta com os achados da investigação policial. O relatório da Polícia Federal, divulgado no dia 6 de setembro, enfatiza que Felício Filho tinha a responsabilidade direta de interromper o que caracterizaram como um “cenário de omissões” ligadas à manutenção e operação das aeronaves. O documento destaca que o executivo estaria ciente de problemas técnicos severos enfrentados pela frota da Voepass e sugere que era ele quem formalmente tomava conhecimento dos ofícios emitidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em relação às irregularidades apontadas.

A defesa, por sua vez, reafirmou que, após o acidente, Felício Filho reassumiu a gestão direta da Voepass e implementou mudanças significativas na estrutura e nos procedimentos operacionais, além de reforçar o diálogo com a Anac. Ele manifestou seu respeito pela investigação e expressou solidariedade às famílias das vítimas.

O inquérito resultou no indiciamento de 16 indivíduos, incluindo funcionários e ex-funcionários da Voepass, que estão sendo investigados por atentado à segurança do transporte aéreo e falsidade ideológica. Caso haja condenação, as penas podem variar de 8 a 24 anos de prisão. Todos os indiciados estão proibidos de deixar o país até que as investigações sejam concluídas pelo Ministério Público Federal.

Os dados obtidos a partir da caixa-preta da aeronave corroboram a investigação inicial, revelando que a falha nos sistemas de ar condicionado e degelo não era reportada adequadamente pelas tripulações. O acidente, segundo a PF, foi causado pela perda de controle da aeronave em decorrência do acúmulo de gelo e pela inadequada execução dos procedimentos de segurança.

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