Este ato de homenagem foi parte do projeto Diplomação da Resistência, uma iniciativa da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) em parceria com a vereadora paulistana Luna Zarattini (PT) e o Instituto de Geociências da USP. Essas foram as primeiras de 33 homenagens que a universidade planeja realizar em memória de estudantes que foram vítimas da ditadura militar. Segundo a instituição, o objetivo é reparar as injustiças e honrar a memória dos alunos assassinados. A diplomação honorífica é vista como uma forma de a universidade reconhecer a tragédia e solidarizar-se com as famílias e amigos das vítimas.
Renato Cymbalista, coordenador da Diretoria de Direitos Humanos e Políticas de Memória, Justiça e Reparação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, falou sobre a importância desse reconhecimento histórico. Ele ressaltou que muitos estudantes assassinados pela ditadura se destacaram academicamente e politicamente, mas não puderam concluir seus estudos devido à violência sofrida. A Comissão da Verdade da USP, estabelecida em 2013, constatou que 39 alunos, seis professores e dois funcionários da universidade foram mortos durante o período da ditadura.
Alexandre Vannucchi Leme, com apenas 22 anos, foi preso, torturado e morto por agentes do DOI-Codi paulista enquanto estudava Geologia na USP. Filiado à Ação Libertadora Nacional (ALN), Leme foi visto pela última vez no dia 15 de março de 1973 e, no dia seguinte, morreu em decorrência das torturas. Já Ronaldo Mouth Queiroz, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, também foi morto por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em abril de 1973.
Essas duas histórias representam apenas uma pequena parte das injustiças cometidas durante a ditadura militar no Brasil. As vítimas e suas famílias permanecem na busca por justiça e condenação dos responsáveis pelos crimes. O coordenador da Diretoria de Direitos Humanos e Políticas de Memória, Justiça e Reparação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento destacou a falta de condenação explícita dos torturadores da ditadura, ressaltando a importância de um processo de justiça semelhante ao que ocorreu na Argentina. Este reconhecimento por parte da USP é um passo importante para a memória e reparação, mas há ainda muito a ser feito para lidar com as consequências desse período sombrio da história do Brasil.





