Em uma decisão histórica, os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelecem que os Crimes de Maio, ocorridos em 2006, configuram uma grave violação de direitos humanos e, como tal, não estão sujeitos à prescrição. Essa deliberação, realizada durante um julgamento na última terça-feira, 12 de setembro, determina que ainda é possível que o Estado brasileiro seja responsabilizado a indenizar as vítimas e seus familiares.
Os Crimes de Maio se referem a uma série de massacres que resultaram na morte de pelo menos 545 pessoas em São Paulo, muitos dos quais apresentavam indícios de execução. O relator do caso, o ministro Teodoro Santos, argumentou que, devido à natureza das violações, devem prevalecer as normas de tratados internacionais que proíbem a prescrição em casos de violação de direitos humanos. Dessa forma, foi reafirmado que o Estado não pode escapar de sua responsabilidade pelas atrocidades cometidas.
A ação legal, que foi apresentada pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública de São Paulo, agora retornará ao Tribunal de Justiça estadual. Neste palco, será analisado o mérito da ação civil pública que busca responsabilizar o Estado por essas violências. Para organizações como a Conectas e o Movimento Independente Mães de Maio, que atuaram como amici curiae no processo, essa decisão representa um marco jurídico significativo, já que reafirma a imprescritibilidade da responsabilização do Estado nessas violências, abrindo caminho para reparações às vítimas e suas famílias.
Em declarações à imprensa, a advogada Caroline Leal, da equipe de litígio estratégico da Conectas, destacou a relevância desse julgamento. Segundo ela, a decisão não apenas reconhece os Crimes de Maio como uma grave violação de direitos humanos, mas também enfatiza que a imprescritibilidade se aplica tanto ao regime militar quanto ao atual regime democrático. Essa visão amplia a proteção da vida e reafirma o papel do Estado na prevenção de novas violações, desafiando a ideia de que apenas os crimes da ditadura seriam imprescritíveis.
Os Crimes de Maio foram impulsionados por uma série de ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), seguidos por uma violenta retaliação policial, resultando em um número alarmante de mortes em todo o estado. Este triste capítulo da história do Brasil completa agora 20 anos, marcando um momento crucial na luta por justiça e reparações em casos de violência estatal.
