A conferência, que se encerrará nesta sexta-feira, evidenciou a visão de Barros de um processo que ele descreve como um novo colonialismo. Segundo ele, esse movimento é impulsionado por interesses do Norte Global, que procura não apenas controlar recursos naturais, mas também manipular patentes e dominar a produção de bens estratégicos, tais como veículos elétricos e armamentos. O sociólogo enfatiza que o domínio sobre a Amazônia, por exemplo, representa controle sobre alimentação, energia e água, além de um poder militar significativo.
Durante seu discurso, Barros não poupou críticas às consequências desse neocolonialismo. Ele argumentou que o setor financeiro, aliado às tecnologias, não responde às necessidades das populações historicamente marginalizadas. A inteligência artificial e outras inovações, segundo ele, estão sendo utilizadas para acentuar a opressão, soterrando os conhecimentos e direitos dos povos afrodescendentes. Ele defendeu a urgência de criar uma contracorrente que dê suporte tecnológico e emancipação a essas comunidades.
Além disso, Barros abordou a questão da saúde pública, mencionando a ineficácia da gestão brasileira durante a pandemia, que falhou em atender adequadamente as necessidades do continente africano. “A transferência de tecnologia e medicamentos foi praticamente inexistente”, afirmou, lembrando que apenas um quarto da população africana recebeu duas doses da vacina contra a Covid-19 até o momento.
Em sua conclusão, o sociólogo reafirmou a importância do resgate dos saberes e práticas tradicionais como caminhos essenciais para a autonomia econômica e política das comunidades negras e tradicionais. Ele ressaltou a necessidade de um comprometimento acadêmico e governamental em apoiar essas formas de resistência, garantindo assim o direito à vida e dignidade dessas populações. As reflexões de Miguel de Barros evidenciam a profundidade das questões sociais e ambientalistas que permeiam a atualidade, ressaltando a urgência de um movimento global mais equitativo e justo.
