DIREITOS HUMANOS – Queda na posse de celulares entre crianças é impulsionada por preocupações com privacidade e segurança, aponta pesquisa do IBGE sobre tecnologia e internet.

Recentemente, um novo estudo sobre a posse de celulares entre crianças e adolescentes trouxe à tona uma preocupação crescente em relação à privacidade e segurança nas redes sociais. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de crianças de 10 a 13 anos com telefone celular diminuiu, marcando a primeira queda desde 2016. Em 2025, 55,2% dessas crianças possuíam um celular, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior.

O estudo revela que a razão mais citada pelos responsáveis por essa queda é justamente a preocupação com a privacidade e segurança dos jovens. Este fator foi mencionado por 32% dos entrevistados — um aumento significativo em comparação a anos anteriores, quando o foco recaía mais sobre o preço do aparelho ou a falta de necessidade do dispositivo. Desde 2022, a inquietação em relação à segurança e privacidade praticamente duplicou.

Gustavo Fontes, analista do IBGE, ressalta a singularidade dessa faixa etária, já que apenas crianças de 10 a 13 anos demonstraram uma diminuição na posse de celulares. Entre os adolescentes de 14 a 19 anos, o uso dos dispositivos continuou a crescer, elevando o percentual de posse de celulares na população geral para 89,8%. A nova realidade traz à superfície preocupações adicionais, como o uso restrito de celulares nas escolas e a crescente exposição das crianças nas plataformas digitais.

Outro dado revelado pela pesquisa é a leve diminuição do acesso à internet entre crianças dessa faixa etária, que caiu de 84,9% para 84,4%. Mesmo entre os que se mantêm desconectados, a insegurança em relação à privacidade continua a ser um fator relevante.

Em um contraste notável, a pesquisa também destacou um avanço significativo no uso de tecnologia entre os idosos. Em 2025, 74,5% da população acima de 60 anos utilizava a internet, um aumento considerável desde 2019. O número de idosos com celular também cresceu, passando de 78,3% para 80,3%. As dificuldades no acesso à tecnologia entre os mais velhos se devem principalmente à falta de familiaridade com o uso da internet e dispositivos móveis.

A pesquisa ainda aponta que, pela primeira vez, a maioria dos brasileiros conectados – 52,7% – declarou realizar compras online, refletindo uma tendência crescente de digitalização da economia e dos serviços. Entre as atividades realizadas por usuários da internet, destaca-se o ato de conversar por chamadas de voz ou vídeo, com 95,3% dos entrevistados utilizando essas funcionalidades.

Com essas constatações, fica claro que as preocupações com a segurança digital afetam, de maneira diversa, diferentes faixas etárias, revelando um cenário em constante transformação no uso de tecnologia no Brasil.

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