O DOI-Codi, que funcionou entre 1969 e 1982 em São Paulo, foi o maior centro de repressão política do país durante a ditadura, sendo palco de torturas, assassinatos e violações de direitos humanos. Comandado pelo coronel Ustra, estima-se que pelo menos 50 presos políticos tenham morrido no local. Entre as vítimas está o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975.
Desde 2014, movimentos clamam pela criação do memorial no local, que atualmente abriga uma delegacia de polícia. O ex-presidente da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo, Adriano Diogo, que esteve preso no DOI-Codi, ressaltou a importância de transformar um espaço de violação de direitos humanos em um local de memória e educação em direitos humanos.
A Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo ajuizou uma ação civil para transferir o prédio do DOI-Codi da Secretaria de Segurança Pública para a Secretaria de Cultura, visando a concretização do memorial. No entanto, o governo de São Paulo não se mostrou favorável ao acordo, argumentando questões de gastos e a existência do Memorial da Resistência na capital paulista.
Para Eduardo Valério, se o Estado foi capaz de criar centros de tortura no passado, deve ser capaz de criar centros de memória no presente. Flávio de Leão Bastos Pereira, representante da OAB, ressaltou que o memorial pertence ao povo brasileiro e é um patrimônio da humanidade.
Enquanto o memorial não é criado, o Núcleo de Preservação da Memória Política realiza visitas guiadas ao local e manifestações culturais para homenagear as vítimas do DOI-Codi. A sociedade civil continua pressionando pelas iniciativas de preservação da memória e educação em direitos humanos, mesmo diante das resistências do governo de São Paulo.





