Em nota, o Diretório Central dos Estudantes Livre da USP (DCE) classificou a ação policial como “truculenta e ilegal”, enfatizando que a operação foi realizada sem uma ordem judicial que a legitimasse, o que contraria as diretrizes estabelecidas para tais situações. Os estudantes relataram que a desocupação ocorreu por volta das 4h15, em um horário que, segundo o DCE, é pacificamente considerado inadequado para intervenções desse tipo. O resultado foi a detenção de quatro alunos, além de dezenas de feridos, que foram atingidos por bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes.
O DCE destacou as condições precárias que motivaram a ocupação, incluindo a falta de água nos dormitórios e a proliferação de mofo nas moradias, além de relatos sobre a insegurança alimentar nos refeitórios da universidade, com registros de alimentos estragados. Essas questões, segundo os estudantes, são sintomas de uma gestão universitária que ignora as necessidades básicas de inclusão e permanência na instituição.
Por outro lado, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo defendeu a ação policial, afirmando que foi conduzida com cerca de 50 agentes e que não houve feridos entre os policiais. A pasta alegou que a operação foi necessária devido a um flagrante delito e à resistência dos ocupantes, o que justificaria a ausência de uma ordem judicial. Além disso, foram constatados danos ao patrimônio público, como portas de vidro quebradas e móveis danificados, além da apreensão de entorpecentes e objetos contundentes.
Esse episódio levanta discussões sobre a relação entre a administração da USP, a segurança pública e os direitos de luta dos estudantes por melhores condições de vida e ensino. A situação continua tensa, e os estudantes prometem persistir em suas reivindicações por diálogo e melhorias estruturais na instituição.
