A escolha do tema reflete conquistas recentemente reconhecidas, como os 15 anos da união civil entre casais homoafetivos, a criminalização da LGBTfobia e a possibilidade de retificação do nome para pessoas transexuais e travestis. Claudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, enfatiza que a parada é um momento de celebrar essas vitórias, mas também de conscientizar sobre as causas que ainda necessitam de atenção.
Em suas declarações, Nascimento aponta uma falha crítica do Congresso Nacional em assegurar o direito pleno ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e destaca a importância de lutar por uma legislação que corrija essa omissão. Além disso, questões fundamentais que afetam pessoas transexuais, como o direito de usar banheiros correspondentes à sua identidade de gênero, permanecem vulneráveis a ataques de setores conservadores. A falta de políticas públicas que garantam dignidade nas esferas de trabalho, saúde e acesso a hormonoterapia, requer um movimento contínuo por parte da sociedade civil.
Em 2025, o evento agarrou a atenção de centenas de milhares de pessoas, com mais de 100 atrações e 15 trios elétricos. Para este ano, a organização promete um calendário diversificado de atividades que engajará a comunidade durante todo o mês de novembro. O primeiro pré-evento, programado para acontecer no Teatro Carlos Gomes, será um sarau que compartilhará histórias de amor e resistência de cinco casais LGBTI+.
As iniciativas pretendem não somente promover uma cultura de inclusão, mas também reforçar a representatividade. Nascimento ressalta que o movimento LGBTI+ sempre encontrou fontes criativas para reivindicar direitos, unindo celebração e politização.
Diante da relevância econômica do evento, que gera entre 25 e 30 milhões de reais em impostos para o Rio, o ativista também critica a escassez de investimentos e patrocínios. Ele argumenta que o patrocínio ao evento representa um investimento na cidade como um todo, destacando a necessidade de um comprometimento contínuo das empresas com a diversidade e os direitos humanos, além de uma participação que extrapole as celebrações pontuais do Dia do Orgulho.
Claudio Nascimento conclui seu apelo à iniciativa privada de forma contundente, sublinhando que a luta por dignidade e reconhecimento não deve se restringir a um único dia, mas fazer parte de um compromisso diário com a igualdade.
