DIREITOS HUMANOS – Marcha do Orgulho Trans em São Paulo não acontecerá em 2026 após saída do Instituto SSEX BBOX; falta de patrocínios é um dos fatores.

A Marcha do Orgulho Trans, evento que se consolidou como um marco na luta pelos direitos da população trans em São Paulo desde sua primeira edição em 2018, não será realizada neste ano de 2026. O anúncio foi feito na última sexta-feira pelo Instituto SSEX BBOX, que historicamente organizava o evento, marcando um momento de transformação significativa para a instituição e a comunidade trans.

No comunicado à imprensa, o Instituto destacou que a decisão de não prosseguir com a Marcha reflete as mudanças no cenário dos direitos da população trans ao longo da última década. As demandas e aspirações dessa comunidade, assim como aquelas do próprio Instituto, sofreram evolução ao longo dos anos, levando a essa importante e reflexiva decisão. O evento, que costumava coexistir com a Parada do Orgulho LGBT+, agendada para o próximo domingo (7), também se tornava cada vez mais relevante em um cenário de diversidade e inclusão.

O Instituto SSEX BBOX também informou que abrirá inscrições para que outros grupos interessados possam assumir a organização da Marcha no futuro. Essa mudança sinaliza uma nova fase na luta pelos direitos trans, onde outros eventos e iniciativas liderados por pessoas trans também ressoam, mostrando a riqueza e a heterogeneidade da comunidade.

Um dos fatores que contribuíram para essa decisão foram as dificuldades financeiras enfrentadas pelo SSEX BBOX, que, segundo seu fundador Lyon Adryan Ror, refletiram a diminuição de patrocínios e incentivos às iniciativas LGBTQIA+. A queda nos investimentos começou a ser notada especialmente após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, afetando profundamente muitas organizações do setor.

Esse cenário financeiro complicado não atinge apenas a Marcha do Orgulho Trans, mas também a Parada do Orgulho LGBT+, que enfrentou uma redução de 60% na receita com patrocínios neste ano, segundo afirmações feitas pelo presidente da APOLGBT-SP, Nelson Matias Pereira. A diminuição de apoio financeiro impacta não só a realização do evento, mas também as ações sociais e culturais promovidas pela associação.

Os organizadores da Parada deste ano, que traz como tema “30 Anos Parada SP: A Rua Convoca, a Urna Confirma”, esperam que a presença de artistas como Gloria Groove e Pepita ajude a renove o fomento à luta pela inclusão e respeito à diversidade. Em meio a dificuldades, a manifestação se propõe como um espaço democrático de cidadania, refletindo sobre a importância da mobilização popular e da participação política, ressaltando a necessidade da contínua ocupação das ruas por todos os segmentos da sociedade.

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