Arielson, identificado como o executor do crime, foi sentenciado a 29 anos e nove meses de prisão. Já Marílio, apontado como o mandante do homicídio, recebeu uma pena ainda mais severa: 40 anos, cinco meses e 22 dias de reclusão. Importante mencionar que Marílio, apesar de ter um advogado constituído, encontra-se foragido.
Ambos os réus foram considerados culpados por homicídio qualificado, envolvendo motivação torpe e meio cruel, além da impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito. Este caso ainda não está totalmente resolvido, pois três outros indivíduos – Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus – também foram denunciados e aguardam julgamento. O último, Ydney, é igualmente acusado de ser um dos mandantes.
A condenação, embora comemorada, retrata apenas uma parte da jornada em busca de justiça. Organizações como a Anistia Internacional sublinham a importância de responsabilizar todos os envolvidos, ressaltando que o Brasil, por longo tempo, enfrentou altos índices de impunidade em casos que envolvem defensores de direitos humanos.
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, em sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. A ialorixá, aos 72 anos, foi alvo de um ataque brutal, recebendo 25 tiros durante a invasão de sua casa por homens armados. Sua morte ocorreu em um contexto de ameaças constantes, e ela, incluindo sua participação no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, havia sido uma voz ativa na luta contra o racismo e pela defesa de seu território.
O assassinato gerou imensas repercussões, levando o Tribunal de Justiça a decidir pelo desaforamento do processo. Essa medida foi tomada para garantir um julgamento imparcial, destacando a gravidade da situação e a necessidade urgentíssima de justiça para Mãe Bernadete e toda a comunidade que a apoiava.






