Um dos principais enfoques do plano emergencial é a exigência de políticas públicas eficazes, que atendam às necessidades especificas das mulheres quilombolas. O documento delineia uma série de demandas que devem ser acolhidas pelas diversas esferas do governo. Entre as solicitações, destacam-se garantias de proteção coletiva e territorial, além de análises que levem em conta questões de gênero e raça, direitos sociais e infraestrutura. O plano também reivindica maior valorização dos saberes e práticas quilombolas, a superação de falhas nos programas de segurança e um fortalecimento das equipes multidisciplinares de apoio, capazes de oferecer respostas rápidas às situações de risco enfrentadas por essas líderes.
Segundo Selma Dealdina, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, o plano visa endereçar diretamente o aumento dos conflitos agrários e ambientais que afetam a segurança das lideranças quilombolas femininas. A iniciativa inclui ações concretas a curto prazo, como a criação de uma cartilha pedagógica e a implementação de formações integradas, destinadas à articulação política dessas mulheres.
Além do plano, o evento também promoveu a exibição do documentário “Cafuné”, que retrata a realidade angustiante enfrentada por lideranças comunitárias ameaçadas, como a história de Mãe Bernadete, assassinada em agosto de 2023. Dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação, o filme integra um projeto que será encaminhado a autoridades competentes.
A coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, enfatizou que o encontro tem como objetivo promover a troca de experiências e fortalecer os laços entre as mulheres de suas comunidades. “É fundamental fortalecer nossos territórios e nossa ancestralidade”, declarou.
Durante o evento, a jornalista Maria Júlia Coutinho dialogou com as lideranças sobre a importância da comunicação, ressaltando que as comunidades quilombolas também são espaços de alegria e resistência. Ela enfatizou a importância de celebrar e transformar essa cultura vibrante.
O lema do encontro, “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia”, reflete a urgência da resistência e da preservação ancestral na proteção dos biomas brasileiros. Para a Conaq, é vital criar uma frente unificada para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais. O encontro garante a participação de agricultoras, raizeiras, benzedeiras e parteiras, promovendo a diversidade dos produtos oriundos dos diferentes biomas. “As mulheres lideram a produção nos territórios, seja na agricultura familiar, na medicina tradicional ou na manufatura artesanal, cada região traz consigo uma identidade cultural e biológica única”, concluiu Cida Souza, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq.
