Na última quinta-feira, 11 de outubro, o governo brasileiro formalizou um pedido de desculpas em relação aos discursos de ódio e difamação direcionados ao jornalista Dom Phillips e ao indigenista Bruno Pereira, que foram brutalmente assassinados em 2022. O reconhecimento da responsabilidade e a retratação pública foram anunciados durante a cerimônia de premiação do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação, realizada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira.
O pedido de desculpas é parte de um compromisso do Brasil com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA). Durante sua fala, o ministro mencionou a importância do trabalho de Bruno e Dom no Vale do Javari, ressaltando o impacto significativo que ambos tiveram na luta contra o crime organizado e em defesa dos direitos humanos. Ele enfatizou que esses discursos prejudiciais não apenas afrontaram a memória dos defensores dos direitos indígenas, mas também prejudicaram a luta por justiça e dignidade no país.
Palmeira apontou que a atuação de Dom e Bruno refletia um forte compromisso com a sociedade brasileira, destacando suas bravuras ao enfrentar desigualdades, privilégios e atrocidades relacionadas ao crime organizado. “Aqueles que se dedicam a essa causa sempre enfrentarão desafios, e há aqueles que arriscam suas vidas para proteger o que é justo”, afirmou o ministro, sublinhando a necessidade de honrar esses heróis e promover causas voltadas à sustentabilidade e justiça social.
Dom Phillips, colaborador do jornal britânico The Guardian, era um jornalista ambiental rigoroso, dedicado a reportar sobre conflitos de terra e questões relativas aos povos indígenas. Bruno Pereira, ex-coordenador da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), também enfrentou duras ameaças devido à sua incansável defesa das comunidades indígenas. Em junho de 2022, ambos foram vítimas de uma emboscada enquanto realizavam trabalho no Vale do Javari, região rica em biodiversidade e disputas territoriais.
O Ministério Público Federal denunciou que as mortes ocorreram em decorrência de atividades ilegais de pesca na área, em represália ao trabalho de educação ambiental promovido por Bruno e Dom. A Justiça, em seguida, aceitou a denúncia que envolve Rubén Dario Villar, conhecido como “Colômbia”, principal suspeito de organizar o crime.
A cerimônia não apenas buscou reparar a honra de Bruno e Dom, mas também destacou iniciativas de comunicação que promovem a defesa ambiental e direitos dos povos indígenas. A premiação exemplificou que o legado dessas duas figuras continuará vivo na luta pela justiça e pelo respeito aos direitos humanos no Brasil.
