Essa mudança de abordagem aparenta ser uma resposta direta à intensificação dos esforços do Estado para a retirada de invasores de Terras Indígenas (TIs). Embora a diminuição do uso de maquinaria pesada possa sugerir um retrocesso na atividade garimpeira, essa adaptação revela, na verdade, uma estratégia astuta para contornar a vigilância governamental e manter a lucratividade do setor. Esses achados foram documentados em um recente relatório elaborado pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), em parceria com o Instituto Mãe Crioula.
O relatório sublinha que a mesma rede financeira que sustenta facções criminosas também alimenta os esquemas de extração ilegal de minérios. Com a desintegração das fronteiras entre o garimpo artesanal e a mineração em larga escala, operações recentes da Polícia Federal trouxeram à tona a interligação entre fundos de investimento, lavagem de dinheiro e organizações criminosas.
A dinâmica populacional nos garimpos também foi analisada, revelando que a maioria dos trabalhadores é oriunda do Maranhão. Essa mudança na migração intrarregional teve início na década de 1990, com muitos que transitam entre a agricultura e o garimpo. Municípios como Jacareacanga e Itaituba, que abrigam os Munduruku, têm testemunhado um crescimento populacional indígena significativo, representando 59,1% de seus habitantes.
Ainda segundo o estudo, muitos membros da etnia se veem obrigados a ingressar no garimpo devido à escassez de opções de trabalho e subsistência. Isso culminou na formação de áreas como o bairro dos Alagados, onde a desesperada busca por renda se traduz em precariedade.
O aumento da motorização na região e o crescimento do PIB de Jacareacanga entre 2014 e 2023 são também indicativos da transformação econômica gerada pela exploração mineral. No entanto, as ações de desintrusão do governo federal têm buscado proteger os direitos dos Munduruku, culminando em operações que visam desmantelar a rede de garimpo ilegal.
A pesquisa da UEPA, apoiada por várias instâncias governamentais, abrange o período de 2017 a 2023, revelando um quadro complexo e dinâmico da luta entre a exploração e a preservação dos direitos indígenas na Amazônia.





