DIREITOS HUMANOS – Exploração de idosas em trabalho doméstico é dificultada pela falta de reconhecimento de violência, alerta procuradora do Ministério Público.



A falta de atenção para o trabalho de cuidado realizado por idosas em condições análogas à escravidão em áreas rurais dificulta a identificação da violência contra essa parcela vulnerável da sociedade. A procuradora do Ministério Público do Trabalho, Juliane Monetti, que há 15 anos combate esse tipo de trabalho, ressalta a ausência de resgates de mulheres em situações de trabalho escravo durante operações de fiscalização anteriormente, especialmente aquelas que desempenham funções domésticas em suas próprias casas para alimentar os trabalhadores das propriedades.

Segundo Monetti, é essencial reconhecer que o trabalho doméstico também é trabalho e que as mulheres que o realizam, muitas vezes desde jovens, acabam sendo exploradas ao longo da vida. Ela destaca que a sociedade vem evoluindo ao perceber que essas mulheres, em sua maioria idosas, são vítimas de exploração e que é fundamental mudar essa realidade.

Um exemplo marcante dessa violência é o caso de Maria de Moura, de 87 anos, resgatada em 2022 de uma situação análoga à escravidão em uma casa onde trabalhava há 72 anos. A história de Maria revela como a exploração e o abuso podem perdurar por décadas, privando a pessoa de sua dignidade e liberdade.

A sobrinha de Maria, Ana Luiza de Moura Lima, relata que sua tia foi trazida para trabalhar como companhia quando era criança, mas acabou se tornando uma empregada doméstica sem acesso a educação, lazer ou autonomia. A condição de Maria só foi descoberta após uma denúncia que levou à sua libertação e ao início de um processo para garantir seus direitos trabalhistas e reparação por danos morais.

A procuradora Monetti destaca a importância de divulgar casos como o de Maria para conscientizar a sociedade sobre a ilegalidade e crueldade do trabalho análogo à escravidão no ambiente doméstico. Ela ressalta que é fundamental denunciar essas situações e buscar justiça para as vítimas, que muitas vezes sofrem não apenas com a exploração do trabalho, mas também com violência psicológica e privação de direitos básicos.

O caso de Maria de Moura e outros semelhantes mostram a urgência de combater a exploração de idosas em situações de trabalho doméstico e garantir que essas mulheres sejam tratadas com dignidade e respeito. A sociedade precisa estar atenta e atuante para denunciar e combater essas formas de violência e garantir a proteção dos direitos humanos para todos.

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