DIREITOS HUMANOS –

Desafios de Mães Solo: A Luta por Direitos e Redes de Apoio no Brasil

Desafios e Resiliência das Mães Solo no Brasil

No Brasil, a realidade enfrentada por milhões de mães que criam seus filhos sozinhas é um reflexo de uma sociedade marcada por desigualdades e desafios. Com cerca de 11 milhões de mulheres nessa condição, muitas delas se veem obrigadas a arcar com as responsabilidades financeiras e emocionais de suas famílias sem o apoio do pai, o que intensifica as dificuldades diárias.

Cibele, uma jovem de 26 anos, é um exemplo claro dessa luta. Com um filho de cinco anos e um pai ausente, ela se dedica não só a prover as necessidades básicas do filho, mas também a garantir seu desenvolvimento e bem-estar. Com uma jornada de trabalho que consome até doze horas do seu dia, Cibele tenta encontrar momentos de lazer e afeto com a criança, especialmente aos finais de semana, quando a rotina frenética dá uma trégua. No entanto, essa batalha constante a expõe a um estresse considerável, que muitas vezes busca separar da experiência de maternidade.

Cibele também se vê diante da morosidade do sistema judicial ao tentar obter direitos como pensão alimentícia e guarda. Com um processo que se arrasta há três anos na Justiça, a realidade é que as necessidades de seu filho não podem esperar. Segundo a especialista em políticas públicas para mulheres, Sueli Amoedo, a burocracia enfrentada por essas mães é especialmente angustiante, muitas delas não sabendo como proceder para garantir os direitos de seus filhos. Além disso, o acesso à Justiça é limitado, com muitas mulheres tendo que enfrentar longas filas e desinformação ao buscar auxílio.

O aumento do percentual de mulheres responsáveis pelo sustento da casa — que passou de 38,7% para 49,1% entre 2010 e 2022 — evidencia a crescente quantidade de famílias monoparentais no Brasil. Entretanto, a solidão e o fardo pesado são realidades que permeiam a vida dessas mulheres. Muitas delas contam apenas com suas próprias mães para apoio, conforme Cibele relatou, demonstrando que a rede de suporte muitas vezes se forma de maneira informal.

É evidente que políticas públicas efetivas são essenciais para atender às demandas específicas das mães solo. A criação de creches em tempo integral, acesso facilitado a serviços de saúde e a implementação de políticas de transferência de renda são algumas das soluções necessárias para aliviar a carga que essas mulheres carregam. As vozes dessas mães precisam ser ouvidas, e suas lutas reconhecidas, a fim de garantir dignidade e oportunidades que aprimorem não apenas a vida delas, mas a de seus filhos.

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