Diante deste quadro preocupante, o CNDH lançou o Observatório Nacional de Enfrentamento ao Discurso de Ódio e ao Neonazismo, uma iniciativa com a missão de mapear a atuação dessas células, monitorar a propagação de discursos de ódio, especialmente nas plataformas digitais, e traçar estratégias que visem a criação de diretrizes seguras para a segurança pública. Nos últimos três dias, Belém foi o epicentro de atividades voltadas ao monitoramento das manifestações de ódio e do extremismo, com diálogos diretos entre as instituições locais, buscando fortalecer uma rede de proteção e construir diagnósticos conjuntos sobre a situação no Norte do Brasil.
Carlos Nicodemus, conselheiro do CNDH e responsável pela Relatoria Especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, destacou a urgência de enfrentar o neonazismo, que não apenas representa um discurso de ódio, mas também uma forma violenta de ataque a grupos vulneráveis e à democracia. Segundo Nicodemus, o observatório já identificou diversas manifestações em várias regiões do Brasil, correlacionadas com um estudo da Unicamp que apontou um crescimento alarmante do neonazismo e de outras ideologias extremistas.
Antes de Belém, a missão do CNDH se estendeu a outras cidades como Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Recife, entre outras. A criação do observatório representa um avanço no combate a práticas que ameaçam a convivência democrática e os direitos humanos. Inclusive, um relatório com diagnósticos e propostas de políticas públicas será lançado até o fim deste ano.
Nicodemus frisou que o observatório, ao final de seu ciclo em 2026, apresentará um conjunto de políticas nacionais que visem enfrentar o extremismo, destacando a importância de uma articulação entre diversos setores, como educação, cultura e segurança pública. A agenda em Belém também se concentrou na necessidade de uma revisão das políticas estatais para enfrentar o discurso de ódio, ressaltando que o Estado deve atuar junto à sociedade civil para criar um plano abrangente nesse sentido.
Por fim, o conselheiro alertou sobre a responsabilidade das redes sociais na amplificação de discursos de ódio e defendeu uma regulamentação mais rigorosa dessas plataformas, enfatizando que a liberdade de expressão não deve ser confundida com liberdade para agressão. “É fundamental que o Estado brasileiro elabore uma política pública que assegure a liberdade de expressão enquanto protege grupos vulneráveis de ataques. A internet deve ser um espaço seguro, onde a misoginia e a discriminação não tenham vez”, concluiu Nicodemus.
