A pesquisa, que faz parte do Mapa Nacional da Violência de Gênero, surgiu de uma colaboração entre o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, o Instituto Natura e a organização Gênero e Número. Um dado relevante é que esta edição analisou pela primeira vez a presença de testemunhas durante os episódios de agressão, revelando o impacto extendido da violência, que não afeta apenas as mulheres, mas também pessoas ao seu redor, especialmente crianças.
De acordo com os relatos, a situação de violência parece se perpetuar, com 58% das mulheres afirmando que essas agressões são recorrentes, se estendendo por mais de um ano. Essa continuidade aponta para os desafios significativos de romper com ciclos de violência, que são frequentemente exacerbados por fatores como a dependência econômica e a falta de redes de apoio.
A pesquisa também abordou o tema do acolhimento, evidenciando que após os episódios violentos, 58% das mulheres buscaram apoio na família, enquanto 53% encontraram consolo na igreja e 52% contaram com amigos. No entanto, apenas 28% delas registraram denúncias nas Delegacias da Mulher, e uma porcentagem ainda menor, 11%, acionou o Ligue 180, a central de atendimento à mulher.
Outros pontos cruciais levantados referem-se ao conhecimento da Lei Maria da Penha, com 67% das mulheres relatando pouco entendimento sobre suas disposições e 11% desconhecendo completamente a legislação. O percentual de mulheres sem conhecimento sobre a lei é maior entre aquelas com menor renda e escolaridade, destacando a importância de uma eficaz disseminação de informações sobre direitos e mecanismos de proteção.
Vale ressaltar que as Delegacias da Mulher são reconhecidas por 93% das entrevistadas como um recurso de proteção, com um alto nível de conscientização sobre outras instituições, como as Defensorias Públicas e serviços de assistência social. Isso sugere que, apesar dos desafios enfrentados, ainda existe um caminho a ser trilhado para garantir que mais mulheres tenham acesso à informação e ao suporte necessário para lidar com a violência de gênero, um problema que é, indubitavelmente, estrutural e requer uma mobilização abrangente da sociedade.









