DIREITOS HUMANOS –

Brasil Sanciona Lei que Proíbe Produção de Alimentos por Alimentação Forçada de Animais

Na última sexta-feira, foi sancionada a Lei 15.475, que estabelece a proibição da produção e comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, uma prática conhecida como gavage. Esse método, amplamente criticado por organizações de defesa dos direitos dos animais, consiste em forçar a ingestão de grandes quantidades de alimentos em aves como patos e gansos, utilizando um tubo metálico que é introduzido na boca do animal até alcançar o esôfago. Essa prática não é apenas cruel, mas também causa sérios problemas de saúde aos animais, como a esteatose hepática, que resulta na hipertrofia do fígado. O produto final, que chega ao consumidor, é o fígado adoecido dos animais.

A nova legislação, que entrará em vigor em 180 dias, foi aprovada pelo Legislativo e recebeu a sanção presidencial este mês. Embora o principal foco da lei seja o foie gras, famoso prato francês feito a partir do fígado gordo de aves, a norma se aplica a qualquer alimento produzido sob essa prática cruel. Isso significa que tanto produtos in natura quanto enlatados que têm origem na alimentação forçada estão sujeitos à proibição.

As implicações para os infratores da lei são severas. As penalidades previstas incluem multas, sanções administrativas que variam desde a apreensão dos produtos até a suspensão das atividades relacionadas, além da possibilidade de penas de detenção que podem chegar a um ano, conforme as diretrizes da Lei de Crimes Ambientais que também se aplicam em casos de maus-tratos a animais.

Nos últimos dias, o projeto de lei recebeu forte apoio de organizações dedicadas à proteção animal, que emitiram uma carta aberta solicitando a sanção. Essa nova legislação representa um avanço significativo na luta contra práticas de crueldade animal no Brasil e sinaliza uma mudança crescente nas percepções da sociedade em relação à alimentação ética e sustentável. A proibição da gavage reflete uma tendência global em direção a um tratamento mais humano dos animais, além de um direcionamento claro em busca de uma alimentação mais consciente e responsável.

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