A cerimônia de reconhecimento da injustiça ocorreu na UnB, reunindo familiares, amigos, membros da comunidade acadêmica e representantes das comissões de Mortos e Desaparecidos e de Anistia. Este ato simbólico foi promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, que buscou oferecer reparação não apenas à família de Paulo de Tarso, mas à sociedade brasileira como um todo, enfatizando a importância de se reconhecer e reparar os danos causados pela repressão.
Nascido em Morrinhos, Goiás, Paulo de Tarso era filho de Pedro Celestino da Silva, um deputado federal que teve seu mandato cassado pelo Ato Institucional Número 5 (AI-5). Ele concluiu seus estudos em Direito em 1969 e se tornou um militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Após um período de pós-graduação na França, seu destino foi tragicamente selado quando foi capturado por agentes do DOI-CODI no Rio de Janeiro ao lado de Heleny Ferreira Telles Guariba.
Relatos de outros ex-presos políticos indicam que Paulo de Tarso foi levado a um centro clandestino de detenção, onde foi submetido a torturas extremas durante 48 horas. O uso de técnicas brutais, como a colocação no pau-de-arara e a ingestão forçada de sal, deixou marcas indeléveis em sua história e na memória coletiva do país. Investigações revelaram que, na Casa da Morte, os corpos de prisioneiros executados eram desmembrados para dificultar sua identificação.
Durante a cerimônia, a ministra de Direitos Humanos e Cidadania, Janine Melo, expressou o reconhecimento oficial da responsabilidade do Estado pelas graves violações de direitos humanos. Ela ressaltou que o desaparecimento de Paulo de Tarso simboliza a violência de um regime opressor e a ausência de respostas impede a plena vivência do luto por parte da família.
A reitora da UnB, Rozana Naves, sublinhou a importância da memória de Paulo de Tarso como um símbolo da luta pela liberdade de pensamento e a autonomia universitária. Ela destacou que a defesa da liberdade acadêmica e do pensamento crítico é um legado que continua a desafiar a sociedade brasileira, reforçando a necessidade de justiça e democracia.
A cerimônia e o pedido de desculpas representam um passo significativo para a reconciliação do Brasil com um passado doloroso, reafirmando a relevância do reconhecimento das injustiças históricas e a importância de fortalecer as políticas de memória e verdade. Com isso, espera-se que a nação avance em direção a um futuro mais justo e consciente de sua história.





