Essa mudança de cenário é confirmada pelos especialistas consultados, que reconhecem que houve uma estabilização em relação a uma perspectiva de melhora no ambiente de liberdade de imprensa no Brasil. Além disso, a criação do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública contribui para melhorar as condições de trabalho para os profissionais da área.
Entretanto, alguns desafios ainda persistem, como a concentração midiática nas mãos de poucos grupos e a vulnerabilidade do setor diante de pressões econômicas. A violência contra jornalistas também ainda é uma realidade preocupante, com o Brasil sendo o segundo país da América Latina com o maior número de jornalistas assassinados. Nesse sentido, a insegurança e a violência representam obstáculos para a liberdade de imprensa no país.
Outro ponto abordado é a necessidade de regulação das plataformas para combater a desinformação e garantir a integridade informativa. A não aprovação do Projeto de Lei das Fake News pelo Congresso é apontada como um retrocesso, em um momento em que o país enfrenta desafios relacionados à liberdade de imprensa.
O cenário global também reflete desafios, com indicadores políticos apresentando queda, o que impacta negativamente a liberdade de imprensa em diversas regiões do mundo. Países como Argentina, Peru e Estados Unidos enfrentam queda em seus índices, evidenciando a complexidade do contexto em que os jornalistas atuam.
Em um universo em que somente 1% da população mundial vive em países com bom ambiente para o jornalismo, é fundamental que as organizações internacionais e os governos trabalhem juntos para garantir a liberdade de imprensa e a proteção dos profissionais da área. Este relatório da RSF evidencia a importância do jornalismo livre e independente na construção de sociedades democráticas e transparentes.
