Esses números indicam uma alarmante realidade: diariamente, cerca de 425 mulheres se sentem encorajadas a denunciarem suas experiências de violência. Mas não se limitam apenas a denúncias. O serviço também serve de canal para informações sobre a rede de proteção às mulheres, incluindo orientações sobre políticas públicas e campanhas de conscientização.
A análise dos dados revela que quase 70% das violações acontecem no ambiente doméstico. Aproximadamente 40,76% dos casos ocorreram na residência da vítima, enquanto 28,58% aconteceram na casa compartilhada com o aggressor. Além disso, 5,39% das denúncias relataram episódios de violência na casa do agressor, e outros 2,96% nas vias públicas.
O estudo também destaca a grave situação das mulheres negras, que representam mais de 43,16% das vítimas. Entre as 155.111 denúncias, 33,46% foram feitos por mulheres pardas e 9,70% por mulheres pretas. As mulheres brancas corresponderam a 32,54% das notificações, enquanto as mulheres amarelas e indígenas representaram apenas 0,52% e 0,31%, respectivamente. Vale ressaltar que em 23,45% dos casos, não houve a informação sobre a cor/raça da vítima, evidenciando a subnotificação.
Quantificando o tipo de violência, um novo panorama se desenha. A violência psicológica foi a mais comum, com mais de 339 mil casos reportados. Em seguida, a violência física e patrimonial também marcaram presença significativa nas estatísticas. Além disso, em 2025, foram documentadas 7.064 denúncias de violência vicária, em que o agressor manipula filhos ou pessoas próximas para causar dor à mulher.
Considerando o cenário por regiões, o Sudeste se destacou com 47,4% das denúncias. Contudo, o Nordeste também mostrou um aumento no uso do serviço, com a Bahia e Pernambuco à frente. As regiões Centro-Oeste, Sul e Norte seguiram com percentuais menores, mas preocupantes.
No primeiro trimestre de 2026, o Ligue 180 registrou um aumento de 23% nas denúncias e 14% nos atendimentos, refletindo uma continuidade desse problema.
A Central de Atendimento à Mulher continua a oferecer um serviço gratuito e 24 horas, permitindo que mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa possa reportar casos de abusos. Esse é um passo fundamental no combate à violência de gênero e na busca por justiça para as vítimas.






