O Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma iniciativa que envolve o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado, o Instituto Natura e a Associação Gênero e Número, destaca que os números ainda não representam a realidade completa do problema. Especialistas, como a diretora da Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, apontam para a subnotificação da violência de gênero, o que limita a compreensão do problema e a formulação de políticas públicas eficazes.
A série histórica revela um crescimento de 29,35% nos casos de violência sexual contra meninas na última década. O único reprieve ocorreu em 2020, com uma queda de 13,76%, atribuída à pandemia da Covid-19, que dificultou o acesso a canais de denúncia. No entanto, os números voltaram a crescer, com 2023 apresentando um aumento de 37,22%. Em 2024, a tendência ascendente persiste.
Dentre as vítimas, as meninas negras estão em situação de maior vulnerabilidade, compondo 56,5% dos casos ao longo da série. Em 2024, representaram 52,3% das vítimas, sublinhando a necessidade de uma abordagem racialmente consciente nos esforços de combate à violência.
A maioria dos agressores é composta por pessoas próximas à vítima, como pais e irmãos, com 31% dos casos envolvendo familiares. Isso subverte a ideia comum de que a violência sexual ocorre predominantemente por estranhos, indicando que o perigo muitas vezes reside dentro das próprias casas.
Para enfatizar a importância da proteção e prevenção, Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher, afirma que é urgente fortalecer as políticas públicas voltadas para meninas e adolescentes. Essa meta exige um engajamento amplo de setores como saúde e educação, que devem ser os primeiros a identificar e reportar casos de violência.
O Mapa Nacional da Violência de Gênero também revela que crianças e adolescentes são o segundo grupo mais afetado pela violência sexual, atrás apenas dos jovens adultos entre 18 e 29 anos. Além disso, um estudo recente mostrou que meninas de 13 anos são as mais vulneráveis a esse tipo de crime.
Os dados alarmantes exigem um esforço coletivo e direcionado, e é vital que a população saiba como denunciar: por meio do Disque 100, que proporciona atendimento anônimo e gratuito. Essa linha direta é crucial para a proteção de crianças e adolescentes, reforçando a responsabilidade de todos em manter a infância segura.





