O projeto de lei aprovado na Alerj permite apenas intervenções que estejam em conformidade com os princípios de preservação e que promovam a criação de um espaço cultural. Além disso, o tombamento impede qualquer tipo de destruição ou descaracterização da área, visando manter viva a história do local.
O conhecimento público sobre a Usina Cambahyba aumentou após o depoimento do ex-delegado Cláudio Guerra à Comissão Nacional da Verdade, no qual ele admitiu ter incinerado os corpos de 12 desaparecidos políticos na usina. Essas vítimas incluem nomes como Ana Rosa Kucinski Silva, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e José Roman, entre outros.
Além disso, a região do Complexo Cambahyba, composta por sete fazendas, esteve envolvida em disputas sociais, especialmente relacionadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em 2021, a Justiça Federal decretou a desapropriação de uma das fazendas para fins de reforma agrária, resultando na criação do Acampamento Cícero Guedes, que abriga atualmente 300 famílias.
O historiador Lucas Pedretti ressalta a importância de preservar a história da Usina Cambahyba, unindo os relatos da ditadura militar com as lutas do MST. Ele destaca que o tombamento é fundamental para que a lembrança desse local, marcado por violações de direitos humanos, seja transmitida para as futuras gerações, visando manter viva a memória em meio a um contexto de esquecimento histórico.
No cenário brasileiro, a falta de políticas de memória sobre a ditadura militar é evidente, especialmente quando se trata de museus e memoriais. O estado do Rio de Janeiro enfrenta diversas disputas sociais relacionadas a iniciativas de preservação da memória, como no caso da Casa da Morte em Petrópolis e do prédio do antigo DOPS no centro da capital fluminense.
Por fim, o desafio de lidar com passados traumáticos e possibilitar a reflexão e aprendizado sobre eles é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A preservação da história da Usina Cambahyba é um passo importante nesse caminho, contribuindo para a manutenção da memória e a valorização dos direitos humanos.
